
Quando se analisa a atuação de um parlamentar, os números raramente mentem. No caso do deputado federal Ricardo Ayres (Republicanos-TO), os dados levantados pelo Centro de Documentação e Informação da Câmara dos Deputados contam uma história fora do comum para um parlamentar em primeiro mandato.
Até 7 de abril de 2026, Ayres havia apresentado 302 pareceres como relator de projetos de lei, o maior número registrado por um deputado tocantinense desde a criação do estado, em 1988. O levantamento histórico coloca o parlamentar à frente de nomes como Darci Coelho, que acumulou 263 pareceres ao longo de sua carreira, e Professora Dorinha Seabra Rezende, com 181. Na sequência aparece Carlos Henrique Gaguim e Vicentinho Júnior, com 61.
Desses 302 pareceres, 36 projetos foram aprovados e sancionados como lei, uma taxa de conversão que reflete tanto a qualidade técnica dos relatórios quanto a capacidade de articulação dentro do Congresso.
O desempenho como relator não veio isolado. Ayres mantém 100% de presença desde o início do mandato, sem qualquer falta registrada em sessões plenárias ou nas comissões temáticas, o que, no contexto da Câmara dos Deputados, é estatisticamente raro.
Pragmatismo como estratégia
Uma das marcas do mandato de Ricardo Ayres é a postura que ele mesmo defende publicamente: a de que um deputado de estado pequeno não pode se dar ao luxo de fazer oposição sistemática ao governo federal. Para ele, transformar divergências ideológicas em barreira institucional é, na prática, um erro político que quem paga é a população.
O argumento é direto. O Tocantins depende de recursos federais para investir em infraestrutura, saúde e educação. Um parlamentar que se posiciona como oposição permanente ao Executivo federal abre mão da interlocução necessária para viabilizar esses recursos. Na avaliação do deputado, a polarização pode render dividendos eleitorais no curto prazo, mas não entrega obras, convênios nem investimentos ao estado.
Essa lógica, que ele descreve como pragmatismo e não como alinhamento ideológico, ampliou sua interlocução com diferentes setores do governo federal e com lideranças do Parlamento ao longo da legislatura.
Os números do mandato
Ayres foi o parlamentar mais produtivo da bancada do Tocantins desde 2023. Em 2025 foram 453 proposituras apresentadas ao longo do ano, entre projetos de lei, requerimentos de informação, requerimentos de audiências públicas e propostas de emenda à Constituição. A diferença para o segundo colocado da bancada foi 270 proposituras, o que representa mais do que o dobro do desempenho do parlamentar imediatamente atrás dele.
Esse volume se soma ao ranking histórico de pareceres, desde a criação do Tocantins, em 1988: 302 no total desde o início do mandato, sendo 36 aprovados e sancionados como lei.
O número coloca o parlamentar à frente de nomes experientes e com mais mandatos como Darci Coelho, que soma 263, e Professora Dorinha Seabra Rezende, com 181.
Entre as leis com sua relatoria direta, três se destacam pelo impacto na população. A primeira garante o direito à nutrição adequada para pessoas com autismo, ampliando o acesso a acompanhamento especializado. A segunda instituiu o Programa Nacional de Vacinação nas Escolas Públicas, facilitando a imunização de crianças e adolescentes em todo o país. A terceira endureceu as punições para abandono de animais, classificando a prática como infração gravíssima, com previsão de multa e suspensão da Carteira Nacional de Habilitação.
Integra ainda o conjunto de leis de autoria do parlamentar o Protocolo “Não é Não”, voltado à proteção de mulheres em situações de assédio, com mecanismos de prevenção e acolhimento.
Temas nacionais e pautas sensíveis
Ayres atuou como relator do projeto do devedor contumaz, que busca corrigir distorções no sistema tributário e ampliar a justiça fiscal.
Na pauta das apostas esportivas, o deputado apresentou proposta para proibir a publicidade de apostas e jogos online antes que o tema se tornasse consenso no Congresso, citando riscos de endividamento, impacto sobre jovens e danos causados pelo vício em famílias de baixa renda.
Infraestrutura e articulação com o governo estadual
No campo da infraestrutura, o mandato foi além da atuação legislativa formal. Ayres conduziu pessoalmente articulações em Brasília, levando o governador Wanderlei Barbosa ao centro das negociações com o governo federal em momentos decisivos para o avanço de obras estratégicas.
Entre os resultados dessas articulações estão a federalização da TO-080, os anéis viários de Palmas e de Axixá, a duplicação da rodovia entre Palmas e Paraíso do Tocantins e a recuperação de estradas prejudicadas pela queda da ponte de Estreito, no Bico do Papagaio. São projetos que afetam diretamente a segurança viária, o escoamento da produção agrícola e o desenvolvimento econômico do estado.
Na saúde, o mandato destinou recursos para hospitais, unidades básicas de saúde, aquisição de ambulâncias e equipamentos. Na educação, houve investimentos voltados à expansão do ensino superior, incluindo iniciativas de fortalecimento da Unitins e a luta pelo Hospital Universitário da UFT, que terá suas obras iniciadas esse ano.
O deputado está no grupo dos tocantinenses desta legislatura com leis sancionadas nos últimos anos, incluindo a sanção das rotas turísticas das Serras Gerais e do Jalapão, colocando o Tocantins no mapa do turismo e apto pra receber recursos federais pra esses fins.
Um primeiro mandato fora do padrão
Ricardo Ayres assumiu a Câmara dos Deputados em fevereiro de 2023 já ocupando a vice-liderança do partido, sinal precoce da posição que passaria a construir dentro do Parlamento. Em menos de um mandato completo, acumulou um histórico legislativo que, pelos critérios do próprio Congresso, supera o de qualquer deputado tocantinense antes dele.
Os números, nesse caso, falam por si.