
Por Maju Cotrim
A corrida pelas majoritárias no Tocantins já começou, ainda que oficialmente estejamos no campo das pré-campanhas, e dois movimentos chamam atenção, não por sua força, mas por sua fragilidade estrutural.
O primeiro deles é a pulverização dos apoios. Em um cenário com duas vagas ao Senado em disputa, o que se vê é um verdadeiro emaranhado de alianças cruzadas, onde lideranças locais declaram apoio a mais de um nome, muitas vezes em campos distintos. É o apoio que vale para hoje, mas não necessariamente para amanhã. É o gesto político que rende foto, mas não garante voto.
Essa dinâmica expõe um risco silencioso, porém profundo: o esvaziamento da consistência das candidaturas majoritárias. Apoio que não é fidelizado não é ativo político: é ilusão momentânea. E eleição majoritária não se ganha com acenos dispersos, mas com base sólida, construída com alinhamento, compromisso e, sobretudo, coerência.
Fidelizar apoio, nesse contexto, deixa de ser apenas uma estratégia e passa a ser uma necessidade de sobrevivência eleitoral. Não basta somar nomes; é preciso garantir que esses nomes caminhem juntos até o fim, com discurso alinhado, palanque consistente e entrega política real.
Caso contrário, o que se constrói é um castelo de areia: bonito na superfície, instável na essência.
O segundo desafio é ainda mais visível e talvez mais negligenciado: a superficialidade da comunicação. Infelizmente, até o momento, equipes tocantinenses estão de fora das majoritárias e isso é preocupante.
As redes sociais dos pré-candidatos têm sido inundadas por conteúdos que se repetem como um roteiro automático: agendas pelo interior, participações em eventos, cumprimentos, cavalgadas, feiras. Um desfile de imagens que mostram presença, mas dizem pouco. Mostram movimento, mas não necessariamente posicionamento.
Comunicação não é apenas registro de agenda. Comunicação é construção de narrativa.
E o que falta, em grande parte dos casos, é exatamente isso: narrativa com identidade, com clareza de propósito, com leitura real do Tocantins.
O estado não é homogêneo: ele é diverso, complexo, atravessado por diferentes realidades sociais, econômicas e culturais. Falar com o Tocantins exige mais do que estar no Tocantins.
Exige escuta, leitura e coragem de sair do script.
A insistência em uma comunicação genérica, pasteurizada, que trata a política como uma sequência de vídeos bem editados, mas vazios de densidade, pode custar caro. Porque o eleitor percebe. E, mais do que isso, sente quando há desconexão entre o que é mostrado e o que é vivido.
Os candidatos que entenderem isso antes sairão na frente. Porque não se trata apenas de aparecer, trata-se de significar.
O Tocantins de hoje não quer apenas ver. Quer entender. Quer se reconhecer. Quer ser parte.
E isso exige campanhas que vão além do clichê, que rompam com o automático e que construam, de fato, pontes reais com os diferentes perfis de eleitores, do produtor rural ao jovem urbano, da liderança comunitária à mulher periférica, dos povos tradicionais aos empreendedores.
No fim, os dois desafios se encontram em um ponto comum: autenticidade.
Autenticidade nas alianças e na comunicação.
Sem isso, qualquer projeto majoritário corre o risco de ser apenas mais um no meio de muitos.
E o Tocantins já mostrou que sabe diferenciar quem apenas passa… de quem realmente se conecta.
Antes de ser estratégia, política é relação. E relação que não se sustenta, não se elege.
Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!
Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!