
As urnas do primeiro turno confirmaram a baixa presença feminina na política do Tocantins. Dos 34 eleitos neste domingo para o Senado, a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa, apenas 4 são mulheres, o equivalente a 11,8%. Os outros 30 eleitos são homens. Mesmo assim, o resultado traz duas notícias importantes: o fim de quatro anos sem mulheres na bancada federal e a chance real de o estado eleger, pela primeira vez, uma governadora.
Câmara: o retorno das mulheres
Na Câmara dos Deputados, a Professora Janad Valcari (PP) não só foi eleita como foi a candidata mais votada do estado, com 99.026 votos. A vitória dela encerra um jejum. Em 2022, o Tocantins não elegeu nenhuma mulher para a Câmara e formou uma bancada totalmente masculina, segundo o g1 Tocantins. A partir de 2027, Janad será a única mulher entre os 8 deputados federais do estado, o que representa 12,5% da bancada.
Janad faz o caminho da Assembleia para Brasília: foi eleita deputada estadual em 2022 e agora sobe para a Câmara com a maior votação do Tocantins. Outra mulher apontada como candidata a mudar o cenário na bancada federal, Luana Nunes (União), teve 27.352 votos e ficou fora das vagas da federação União–PP.
Assembleia: presença estagnada
Na Assembleia Legislativa, o número de mulheres ficou igual. Foram eleitas três deputadas entre as 24 cadeiras, também 12,5%, o mesmo percentual de 2022. Naquele ano, o g1 já havia registrado queda na presença feminina na Casa, que passou a ter só três deputadas.
As eleitas em 2026 são Vanda Monteiro (União), com 22.169 votos, Claudia Lelis (PV), com 21.907, e Kátia Chaves (Republicanos), com 13.159. Vanda e Claudia renovam o mandato. A vaga de Janad, que deixa a Assembleia para ir à Câmara, foi preenchida por um homem, e o número de mulheres não cresceu. A presença feminina também perdeu por pouco uma quarta cadeira. A Dra. Angela da Facit (PRD) teve 7.892 votos e superou o mínimo individual exigido, mas ficou fora porque a federação PRD–Solidariedade não teve votos suficientes para uma segunda vaga. Faltaram cerca de 380 votos à federação.
Senado: nenhuma mulher eleita
No Senado, as duas vagas em disputa ficaram com homens: Eduardo Gomes (PL), reeleito com votação recorde, e Alexandre Guimarães (MDB). Entre os 13 candidatos ao Senado, nenhuma mulher ficou entre os mais votados.
A bancada do Tocantins no Senado, porém, continua tendo uma mulher: a Professora Dorinha (União), eleita em 2022 com mandato até 2031. A presença dela no Senado depende do segundo turno: se for eleita governadora, deixa a cadeira para o suplente.
Governo: a chance de fazer história
A principal disputa com protagonismo feminino está no segundo turno. Dorinha terminou o primeiro turno em primeiro lugar, com 386.260 votos (45,52%), e enfrenta Vicentinho Júnior (PSDB), que teve 372.848 (43,94%), no dia 25 de outubro. A diferença foi de 13.412 votos.
Se vencer, Dorinha será a primeira mulher eleita governadora do Tocantins. Desde a criação do estado, em 1988, nenhuma mulher conquistou o cargo nas urnas.
O que o cenário mostra
O retrato das urnas mostra que as mulheres continuam sub-representadas no Tocantins, apesar de serem a maioria do eleitorado no Brasil e de a lei exigir que pelo menos 30% das candidaturas de cada partido sejam femininas. Nas cadeiras decididas no primeiro turno, elas ficam abaixo de 12%.
Ao mesmo tempo, as mulheres que chegaram lá tiveram votações de destaque. Janad foi a mais votada para a Câmara, Vanda Monteiro está entre as mais votadas da Assembleia, e Dorinha liderou o primeiro turno para governador. O segundo turno pode transformar um quadro de baixa presença em um marco histórico para o estado.