
O candidato ao Governo do Tocantins Vicentinho Júnior (PSDB) afirmou que pretende procurar adversários e lideranças que estiveram em outros palanques no primeiro turno em busca de apoio para a disputa contra Professora Dorinha (União Brasil). Durante coletiva de imprensa na tarde desta segunda-feira, 5, ele citou nominalmente Laurez Moreira (PSD), Carlos Gaguim (União Brasil) e Eli Borges (PL) e disse que diferenças eleitorais não serão impedimento para o diálogo.
“Eu vou ligar para todos que me permitam uma ligação”, afirmou Vicentinho ao ser questionado sobre as articulações iniciadas após a votação de domingo, 4.
A declaração ocorreu depois de uma pergunta sobre possíveis conversas com Gaguim e Eli Borges e sobre a possibilidade de procurar Laurez, que disputou o primeiro turno para governador e terminou na terceira colocação.
Vicentinho negou que Gaguim e Eli tenham telefonado para ele na noite de domingo, mas ressaltou que mantém relação pessoal com os dois. “Eles não me ligaram, mas eu registro: tanto o deputado Carlos Gaguim como o deputado Eli Borges são amigos de ordem pessoal”, declarou.
Laurez entra na mira das articulações
Ao falar especificamente de Laurez, Vicentinho buscou separar o embate eleitoral da relação construída ao longo dos anos. Segundo ele, os meses de campanha não deveriam apagar vínculos pessoais e políticos anteriores.
“Eu não faria de poucos meses de eleição motivo de apagar anos de convívio”, afirmou.
Vicentinho lembrou ainda da relação de Laurez com seu pai e disse que as duas famílias mantêm uma convivência de décadas. “Eu não posso machucar o Laurez porque nós estamos discutindo um projeto para o Tocantins e me esquecer que ele e meu pai têm uma amizade de mais de 40 anos”, declarou.
O candidato relatou inclusive episódios pessoais vividos ao lado de Laurez e da família dele para reforçar que não considera a disputa eleitoral suficiente para romper essa relação. “Eu tenho um respeito pelo Laurez tremendo”, acrescentou.
Laurez terminou o primeiro turno fora da disputa pelo Palácio Araguaia. Com a eleição reduzida a Dorinha e Vicentinho, seu posicionamento passa a integrar a movimentação política desta nova etapa da campanha. Até o momento da declaração de Vicentinho, a fala do candidato tratava de uma intenção de procurar Laurez, e não de um apoio já acertado.
‘Se depender de uma ligação minha, vou ligar para todo mundo’
Vicentinho disse que pretende adotar a mesma estratégia com outras lideranças e eleitores que não estiveram oficialmente com sua candidatura no primeiro turno. “Se eu puder merecer o apoio e um voto a mais de alguém que ontem eu não tinha, hoje, e se isso depender só de uma ligação minha, deixa o celular carregado aí que eu vou ligar para todo mundo”, afirmou.
Na avaliação dele, procurar adversários ou integrantes de outros grupos não significa mudar suas posições políticas. Vicentinho disse que pretende pedir apoio sem condicionar as conversas a uma mudança de posicionamento ideológico. “Isso não me toma as minhas posições”, declarou.
Ele também criticou a ideia de que conversar com políticos de campos diferentes significaria alterar sua identidade política.
“Se eu ligar para o Laurez, eu virei um cara de esquerda? Se eu ligar para o Witer, eu virei um cara de esquerda? Como é?”, questionou.
Vicentinho reforçou que pretende procurar diferentes nomes nesta nova fase. “Vai ser para o Eli, vai ser para o Gaguim, vai ser para o Laurez, para todos que assim me puderem”, afirmou.
Relação com Laurez e críticas a Wanderlei
Ao aprofundar a resposta sobre Laurez, Vicentinho direcionou críticas ao governador Wanderlei Barbosa (Republicanos). Segundo o candidato, episódios de desgaste entre Wanderlei e Laurez, que foi vice-governador, não tiveram participação dele.
Vicentinho mencionou a mudança na legislação estadual sobre a substituição do governador em caso de ausência e episódios da relação entre Wanderlei e o então vice. As declarações foram feitas pelo candidato como parte de sua avaliação política sobre o rompimento entre os dois. “Eu nunca tive nenhuma adversidade com meu irmão Laurez”, afirmou.
Ele também recordou que, durante um debate eleitoral, Laurez chegou a procurá-lo nos bastidores. Segundo Vicentinho, o ex-prefeito de Gurupi teria pedido que os embates da campanha não ultrapassassem os limites da relação pessoal.
O candidato aproveitou o assunto para defender sua própria atuação durante os mandatos de deputado federal e rebateu críticas feitas ao longo da campanha sobre a destinação de emendas parlamentares. Segundo ele, recursos encaminhados a outros estados decorreram de indicações de parlamentares que integravam blocos sob sua liderança, e não de decisões pessoais de privilegiar outras unidades da Federação.
Segundo turno abre disputa por novos apoios
As declarações ocorreram no primeiro dia de articulações públicas depois da definição do segundo turno no Tocantins. Vicentinho e Dorinha passaram esta segunda-feira a trabalhar pela ampliação de suas respectivas bases políticas para a votação de 25 de outubro.
Na mesma coletiva, Vicentinho anunciou novas adesões à campanha e afirmou que pretende conversar com lideranças, prefeitos, vereadores e eleitores que estiveram em outros projetos no primeiro turno.
A estratégia, segundo ele, será buscar votos sem abandonar os posicionamentos que apresentou durante a primeira etapa da eleição.“Vou pedir a todos que me permitam manter as minhas posições. É isso”, resumiu.