
A definição sobre uma possível cirurgia cardíaca para Kauan Carvalho Martins pode avançar nesta sexta-feira, 2. Internado há uma semana em São José do Rio Preto (SP), o menino já passou por uma série de exames e agora aguarda a avaliação conjunta da equipe médica sobre as condições para um procedimento.
Segundo a mãe, Laise Sousa, os médicos devem se reunir nesta sexta para discutir o quadro clínico e decidir quais serão os próximos passos do tratamento. Até o momento, portanto, não há confirmação de que Kauan será submetido à cirurgia de Fontan.
Desde que chegou ao Hospital da Criança e Maternidade, no dia 25 de setembro, o menino passou por tomografias craniana e torácica, encefalograma e, na última terça-feira, 29, por um cateterismo.
Os resultados devem ajudar os especialistas a avaliar se o organismo da criança apresenta condições para uma intervenção cirúrgica.
Cirurgia ainda depende de avaliação
Kauan nasceu com uma condição cardíaca que deixa apenas um ventrículo funcional. A cirurgia de Fontan é um dos procedimentos utilizados em pacientes com esse tipo de cardiopatia, mas a indicação depende das condições clínicas e cardiovasculares de cada paciente.
Antes da transferência, a Secretaria de Estado da Saúde havia informado que avaliações realizadas no Tocantins apontavam contraindicação ao procedimento naquele momento. Segundo a pasta, Kauan apresentava comprometimento dos acessos vasculares e fragilidade clínica.
A ida para São Paulo permitiu que o menino fosse submetido a uma avaliação especializada para definir se existe possibilidade de realização da cirurgia ou qual tratamento poderá ser adotado.
Transferência ocorreu após longa disputa
Moradora de Paraíso do Tocantins, a família tenta viabilizar o tratamento fora do estado desde 2024.
Em julho de 2025, uma decisão judicial determinou que Kauan fosse levado em UTI aérea ao Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto, acompanhado por um responsável e com os custos da estadia cobertos. Posteriormente, houve nova decisão judicial envolvendo recursos necessários ao tratamento.
A espera ganhou repercussão em setembro deste ano. No dia 9, Laise se acorrentou ao portão do Hospital Geral de Palmas (HGP) para cobrar a transferência do filho. Depois, repetiu o protesto em frente ao Ministério Público do Tocantins.
Três dias mais tarde, o Estado informou que a transferência estava liberada, mas dependia do aceite da unidade que receberia a criança.
Kauan deixou o Tocantins em 25 de setembro, em uma UTI aérea, e foi levado para São José do Rio Preto. Desde então, permanece internado para a sequência de exames que deverá orientar a decisão dos especialistas.
Agora, depois da mobilização da família e da transferência para São Paulo, a expectativa se concentra na avaliação médica desta sexta-feira. A cirurgia ainda não está marcada e dependerá da conclusão da equipe responsável pelo menino.