Dorinha ouve histórias de dor e superação e assume compromissos diante de mais de mil mulheres

Elas por ela: encontro no Jardim Aureny II reuniu relatos sobre violência, maternidade e trabalho; candidata apresentou medidas para garantir proteção, renda e cuidado

Texto: Cidiane Carvalho
Fotos: G. Félix Rocha e Adriano Kraemer

Candidata ao Governo do Tocantins, Professora Dorinha (União Brasil) se reuniu com mais de mil mulheres neste sábado, 17, no Jardim Aureny II, em Palmas, para ouvir histórias de quem precisa sustentar a família, cuidar dos filhos, produzir e enfrentar a violência. No encontro “Elas por Ela”, a candidata assumiu compromissos para ampliar a rede de proteção, oferecer crédito às empreendedoras e garantir apoio às mães solo e às famílias de pessoas com deficiência.

As perguntas vieram acompanhadas de histórias pessoais. Havia a mãe que perdeu a filha para o feminicídio e agora precisa lidar com a dor de um neto que sente falta da mãe; a estudante que tenta conciliar trabalho e maternidade; a produtora que pede segurança para continuar no campo; e a mulher que deixou os próprios projetos para cuidar do filho. Cada relato trouxe uma cobrança sobre o que o poder público precisa fazer para que essas mulheres tenham condições de viver e trabalhar.

Assassinato da filha
Edilene Cavalcante contou que sua filha, Tatiana, de 25 anos, havia sido vítima de feminicídio há 45 dias e deixou um menino de 3 anos. “É muito triste ele olhar todo santo dia para mim e falar: eu estou com saudade da minha mãe. O que falar para uma criança dessa?”, perguntou. Diante de Dorinha, pediu justiça e proteção para que outras famílias não passem pela mesma perda.

A candidata garantiu que vai acompanhar o caso e cobrar providências. Também assumiu o compromisso de ampliar as delegacias especializadas, o monitoramento eletrônico de agressores e a estrutura de atendimento, com novas Casas da Mulher Brasileira em cidades como Araguaína e Gurupi. “Nós não queremos morrer. Ninguém tem o direito de tirar a nossa vida”, afirmou.

Renda para sair da dependência e empreendedorismo feminino
A violência também apareceu na discussão sobre autonomia financeira. Dorinha lembrou que muitas mulheres voltam para a casa do agressor porque não têm como sustentar os filhos. Para romper essa dependência, apresentou medidas de acesso ao crédito e à qualificação profissional, com atenção especial às vítimas de violência.

A empreendedora Ruth Almeida trouxe a experiência de quem já foi quebradeira de coco, doméstica e merendeira. No próprio Aureny II, vendia lanches na porta das escolas, empurrando uma bicicleta porque não sabia pedalar. Sua pergunta foi sobre as oportunidades para mulheres que precisam trabalhar, mas não têm formação ou recursos para começar. Dorinha assumiu o compromisso de oferecer financiamento com garantia do Estado, facilitando o acesso de quem não consegue avalista, além de cursos em parceria com o Sebrae, o Sistema S, institutos federais e universidades. “Nós vamos investir em qualificação, mas vai ter dinheiro”, disse, ao assegurar recursos tanto para abrir quanto para melhorar pequenos negócios.

Segurança para produzir e vender
No campo, Inara Machado cobrou regularização fundiária, segurança jurídica e licenciamento ambiental. Viúva há dois anos, a produtora falou da necessidade de continuar trabalhando sem a incerteza sobre a propriedade. Dorinha se comprometeu a buscar a transferência de terras da União para o Estado e avançar na regularização, incluindo assentamentos e comunidades quilombolas, além de ampliar o crédito e incentivar o processamento da produção dentro do Tocantins.

Regina Pereira apresentou outra dificuldade: a falta de estrutura dos pequenos agricultores e a dependência de atravessadores na comercialização. Em resposta, a candidata anunciou medidas para fortalecer associações e cooperativas, ampliar o acesso a máquinas e financiamento e organizar cadeias produtivas como as do mel, da mandioca e das hortaliças.

Apoio para estudar, trabalhar e cuidar
Aos 27 anos, Aline Martins, mãe solo e estudante, perguntou como ter oportunidades sem precisar escolher entre o trabalho, os estudos e o filho. Dorinha assumiu o compromisso de construir creches em parceria com os municípios e criar um auxílio financeiro para mães solo até que os filhos completem seis anos.

Juventude
A jovem Maju Braga, que vai votar pela primeira vez, também levou ao encontro o receio de precisar abandonar os estudos para ajudar a família. A candidata apresentou medidas para ampliar a formação profissional durante o ensino médio, garantir condições de permanência na escola e incentivar empresas a oferecer estágios e a primeira oportunidade de trabalho.

Cuidado para quem envelhece e para quem cuida
Já Iracema Acácio, de 76 anos, lembrou sua participação na mobilização pela criação do Tocantins e perguntou quais cuidados estarão disponíveis para quem envelheceu e viu os filhos saírem de casa. Dorinha apontou como prioridades a atenção à saúde, a criação de espaços de convivência e de serviços de atendimento durante o dia, além de oportunidades para quem deseja continuar trabalhando.

O cuidado com quem cuida foi a cobrança de Rosa Helena, mãe de um jovem autista de 17 anos e integrante do Instituto Anjo Azul. Ela relatou a solidão, o afastamento de pessoas próximas e a sobrecarga de mulheres que interrompem a carreira para acompanhar os filhos. “Quem cuida de uma pessoa com deficiência também precisa ser cuidada”, afirmou.

Dorinha assumiu o compromisso de ampliar o atendimento às pessoas autistas e neurodivergentes nos municípios e oferecer acompanhamento psicológico, proteção social e apoio financeiro às famílias. “Enquanto elas cuidam dos seus filhos, quem tem que cuidar delas é o Estado”, declarou.