
O bloqueio de duas pontes federais em menos de dois meses colocou em alerta produtores rurais, transportadoras, moradores e autoridades do Tocantins. As interdições atingem duas rotas estratégicas para circulação de pessoas e escoamento da produção agrícola: a BR-230, entre Tocantins e Pará, e a BR-235, entre Pedro Afonso e Tupirama.
Nos dois casos, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) alegou risco estrutural e decidiu restringir o tráfego após inspeções técnicas apontarem comprometimentos nas estruturas.
A situação já provoca impactos diretos no transporte de cargas, amplia custos logísticos e reacende discussões sobre a conservação das pontes federais no estado.
Ponte entre Tocantins e Pará será reconstruída
Na BR-230, a travessia sobre o Rio Araguaia, entre Araguatins (TO) e Palestina do Pará (PA), continuará interditada por tempo indeterminado. O DNIT decidiu reconstruir completamente a estrutura após laudos técnicos apontarem deterioração considerada grave nos pilares centrais e nas fundações da ponte.
Os problemas foram identificados em um relatório elaborado entre fevereiro e abril deste ano, período em que especialistas realizaram testes de carga e análises estruturais na ponte.
Segundo o órgão federal, o edital de licitação para contratação da nova estrutura deve ser publicado em 26 de junho. Enquanto isso, o DNIT informou que trabalha na contratação emergencial de balsas para restabelecer a travessia entre os dois estados.
Até lá, motoristas precisam recorrer a desvios longos, passando por municípios do Tocantins, Pará e Maranhão.
BR-235 também tem bloqueio total
Poucos dias depois, outra ponte federal entrou na lista de restrições. Desta vez, o bloqueio atingiu a Ponte Leôncio Miranda, sobre o Rio Tocantins, na BR-235, entre Pedro Afonso e Tupirama, uma das principais rotas ligadas ao agronegócio tocantinense.
Inicialmente, o DNIT chegou a restringir o tráfego para veículos pesados. Depois das novas inspeções, a autarquia decidiu pela interdição total da estrutura.
Segundo o órgão, as equipes técnicas identificaram sinais de comprometimento estrutural e ainda realizam análises para definir quais intervenções serão necessárias.
A interrupção da ponte ocorre justamente durante o período de escoamento da safra de soja e milho e de chegada de insumos agrícolas à região.
Com o bloqueio, caminhoneiros passaram a utilizar rotas alternativas por estradas estaduais e travessias por balsas, aumentando o tempo de viagem e os custos operacionais.
Medidas emergenciais
Após a interdição da BR-235, o governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa anunciou medidas emergenciais para reduzir os impactos na região.
Segundo ele, o governo estadual determinou à Agência de Transportes, Obras e Infraestrutura (Ageto) a mobilização de embarcações para auxiliar na travessia entre os municípios afetados, além da manutenção das rodovias alternativas utilizadas pelos motoristas.
“Esses dias serão difíceis, porque ali a mobilidade é grande, indo e voltando nas duas direções”, afirmou o governador em vídeo divulgado nas redes sociais.
DNIT fala em prevenção e monitoramento
Nos dois casos, o DNIT afirmou que as decisões foram tomadas de forma preventiva para evitar riscos à população.
O órgão também anunciou mudanças no sistema de monitoramento de pontes e viadutos em todo o país. Segundo o departamento, estruturas federais passarão a ser acompanhadas com auxílio de satélites e inteligência artificial para acelerar diagnósticos e identificar riscos estruturais com mais rapidez.
Enquanto isso, produtores rurais, empresários e moradores seguem enfrentando os reflexos das interdições em duas das principais ligações rodoviárias do Tocantins.