
A sessão da Assembleia Legislativa do Tocantins na manhã desta terça-feira, 19, terminou marcada por troca de acusações, ataques pessoais e um clima de tensão entre os deputados estaduais Leo Barbosa (Republicanos) e Júnior Geo (PSDB). O embate aconteceu durante a discussão sobre as indenizações pagas a servidores estaduais e a disputa em torno das medidas provisórias encaminhadas pelo Governo.
O tom subiu após Leo Barbosa afirmar que a própria Assembleia havia cometido erro ao aprovar mudanças em propostas do Executivo que ampliavam despesas sem estudo de impacto financeiro. Segundo ele, parlamentares não poderiam alterar valores de indenizações por se tratar de matéria de iniciativa exclusiva do Governo.
“Aqui não tem menino nessa Casa. Todos sabem que deputado não pode criar despesa em matéria do Executivo”, afirmou Leo no plenário. O parlamentar também criticou colegas por, segundo ele, tentarem transformar o governador Wanderlei Barbosa em “vilão” no debate sobre os benefícios aos servidores.
Durante a fala, Leo defendeu que o Estado pague o valor de R$ 1.200 proposto pelo governo e afirmou que a solução precisa respeitar limites legais e fiscais.
A resposta veio logo em seguida. Júnior Geo rebateu dizendo que o próprio governo estadual costuma encaminhar projetos sem estudos de impacto orçamentário e acusou Leo de mudar de posição após pressão do Palácio Araguaia.
“Votou por unanimidade, papai puxou a orelha e vem aqui fazer discurso”, disparou Geo.
O comentário provocou reação imediata de Leo Barbosa, que voltou à tribuna em tom ainda mais duro. O deputado afirmou que não aceitaria ataques pessoais nem ironias direcionadas a ele por ser filho do governador Wanderlei Barbosa.
“A relação familiar com meu pai vai existir sempre”, declarou. Em seguida, acusou Geo de ter “fixação” nele e citou disputas eleitorais anteriores. “Não tenho medo de tu”, disse, antes de deixar o plenário.
Mesmo após a saída de Leo, Júnior Geo continuou o confronto. O tucano afirmou que o colega atua mais como defensor do pai do que como fiscalizador do governo.
“Ele deveria ser deputado federal, porque não fiscaliza o governador. Está aqui para defender o próprio pai”, afirmou Geo.
O embate ocorreu em meio à discussão sobre a tentativa do governo de reverter mudanças feitas pela Assembleia nas medidas provisórias que tratam das indenizações pagas a categorias do funcionalismo estadual.
O Executivo sustenta que os deputados ampliaram despesas sem previsão orçamentária, o que teria gerado vício de iniciativa e insegurança jurídica. Após reunião com sindicatos e representantes de categorias, o governador Wanderlei Barbosa encaminhou nova proposta fixando indenizações de R$ 1.200, valor que, segundo o governo, estaria dentro da capacidade financeira do Estado e respaldado por pareceres técnicos da Procuradoria-Geral do Estado e da Secretaria da Administração.