
Existe uma inversão de valores que precisa ser enfrentada.
Em tempos de pré-campanha, parece que perguntar passou a incomodar mais do que deixar a sociedade sem respostas. Não deveria ser assim.
A imprensa Existe para informar cidadãos.
Quando um jornalista liga, envia mensagens, pede esclarecimentos ou busca uma posição oficial, não está “atrapalhando”. Está fazendo exatamente aquilo que a profissão exige: apurar, checar, confrontar informações e entregar ao público uma notícia responsável.
Na Gazeta do Cerrado, essa continuará sendo nossa postura.
Seguiremos ligando, enviando mensagens, procurando todos os pré-candidatos, sem distinção. Mesmo quando a ligação não é atendida, a mensagem fica sem resposta e quando o silêncio parece ser escolhido como estratégia. Não é possível que atender uma ligação ou retorná-la custe tanto tempo a qualquer político que seja em meio a uma pré campanha!
Porque desistir de ouvir um lado nunca foi jornalismo.
Atender a imprensa não é um favor ao jornalista. É um gesto de respeito ao eleitor.
Responder uma pergunta não fortalece apenas a relação com um veículo de comunicação. Fortalece a transparência, reduz ruídos, combate a desinformação e impede que versões parciais ocupem o espaço dos fatos.
O vazio de informação nunca permanece vazio por muito tempo. Quando quem pode esclarecer se cala, alguém ocupará esse espaço com especulações, interpretações ou narrativas.
Quem perde é a sociedade.
Já escrevi isso uma vez e faço questão de repetir.
Política não combina com apatia.
E também não combina com o vácuo na relação entre agentes públicos, pré-candidatos e jornalistas profissionais.
Quem pretende representar a população precisa estar disposto a dialogar com ela. E, em uma democracia, esse diálogo acontece, em grande medida, por meio da imprensa.
O jornalismo sério continuará fazendo perguntas, inclusive aquelas que alguns prefeririam não responder.
Porque a democracia não se fortalece com silêncio.
Fortalece-se com informação.
E informação de qualidade nasce da apuração.
Por isso, na Gazeta do Cerrado, continuaremos insistindo. Continuaremos ligando. Continuaremos checando.
Não porque seja conveniente.
Mas porque é nossa responsabilidade.
E porque, enquanto houver jornalismo, apurar jamais será incômodo. Será sempre uma necessidade.
Maju Cotrim
Jornalista | CEO da Gazeta do Cerrado
Antes de ser notícia, tem que ser verdade. E a verdade exige apuração.