Maju Cotrim
Maju Cotrim

Existe uma inversão de valores que precisa ser enfrentada.

Em tempos de pré-campanha, parece que perguntar passou a incomodar mais do que deixar a sociedade sem respostas. Não deveria ser assim.

A imprensa Existe para informar cidadãos.

Quando um jornalista liga, envia mensagens, pede esclarecimentos ou busca uma posição oficial, não está “atrapalhando”. Está fazendo exatamente aquilo que a profissão exige: apurar, checar, confrontar informações e entregar ao público uma notícia responsável.

Na Gazeta do Cerrado, essa continuará sendo nossa postura.

Seguiremos ligando, enviando mensagens, procurando todos os pré-candidatos, sem distinção. Mesmo quando a ligação não é atendida, a mensagem fica sem resposta e quando o silêncio parece ser escolhido como estratégia. Não é possível que atender uma ligação ou retorná-la custe tanto tempo a qualquer político que seja em meio a uma pré campanha!

Porque desistir de ouvir um lado nunca foi jornalismo.

Atender a imprensa não é um favor ao jornalista. É um gesto de respeito ao eleitor.

Responder uma pergunta não fortalece apenas a relação com um veículo de comunicação. Fortalece a transparência, reduz ruídos, combate a desinformação e impede que versões parciais ocupem o espaço dos fatos.

O vazio de informação nunca permanece vazio por muito tempo. Quando quem pode esclarecer se cala, alguém ocupará esse espaço com especulações, interpretações ou narrativas.

Quem perde é a sociedade.

Já escrevi isso uma vez e faço questão de repetir.

Política não combina com apatia.

E também não combina com o vácuo na relação entre agentes públicos, pré-candidatos e jornalistas profissionais.

Quem pretende representar a população precisa estar disposto a dialogar com ela. E, em uma democracia, esse diálogo acontece, em grande medida, por meio da imprensa.

O jornalismo sério continuará fazendo perguntas, inclusive aquelas que alguns prefeririam não responder.

Porque a democracia não se fortalece com silêncio.

Fortalece-se com informação.

E informação de qualidade nasce da apuração.

Por isso, na Gazeta do Cerrado, continuaremos insistindo. Continuaremos ligando. Continuaremos checando.

Não porque seja conveniente.

Mas porque é nossa responsabilidade.

E porque, enquanto houver jornalismo, apurar jamais será incômodo. Será sempre uma necessidade.

Maju Cotrim
Jornalista | CEO da Gazeta do Cerrado

Antes de ser notícia, tem que ser verdade. E a verdade exige apuração.