
A situação dos hospitais públicos e as propostas para ampliar a rede de escolas em tempo integral dominaram o segundo bloco do debate da RedeTV! Tocantins, na noite desta quinta-feira (17). Com tema livre, Vicentinho Júnior (PSDB) e Professor Witer Naves (PSOL) concentraram o confronto em críticas à atual gestão e na discussão sobre como financiar novos investimentos do Estado.
O debate, mediado pela jornalista Maju Cotrim, ficou restrito aos dois candidatos após as ausências de Professora Dorinha (União Brasil) e Laurez Moreira (PSD).
Vicentinho abre confronto com críticas à saúde
Vicentinho escolheu a saúde pública para questionar Witer. O tucano enumerou problemas que atribuiu à atual gestão, citando pacientes que precisam buscar tratamento fora do Tocantins, dificuldades estruturais no Hospital Geral de Palmas (HGP), atrasos de pagamentos a profissionais e a situação de hospitais regionais.
Na pergunta, Vicentinho também criticou o discurso de continuidade da atual administração estadual e quis saber como Witer avaliava a situação da saúde.
Witer respondeu concentrando a fala na valorização dos profissionais. Disse que médicos especialistas enfrentam sobrecarga e destacou principalmente enfermeiros e técnicos de enfermagem.
“Quem toca a saúde desse Estado chama-se enfermagem. Os enfermeiros e enfermeiras desse Estado são os nossos guerreiros”, afirmou.
O candidato também defendeu uma reorganização regional da assistência para reduzir a necessidade de transferir pacientes do interior para Palmas. Citou como exemplo moradores de Augustinópolis que precisam percorrer grandes distâncias em busca de procedimentos que, segundo ele, poderiam ser oferecidos mais perto de casa.
Vicentinho concordou com a necessidade de valorização dos profissionais, mas voltou a criticar as condições de trabalho. Citou reivindicações relacionadas a salários, alimentação e estrutura hospitalar e prometeu ampliar a rede estadual caso seja eleito.
Entre as propostas apresentadas durante a réplica, falou na construção de novos hospitais regionais e em investimentos nas unidades já existentes. O candidato também prometeu acabar com indicações políticas para as direções hospitalares.
“Nós não iremos politizar as indicações dos diretores hospitalares no Estado do Tocantins”, declarou.
Na tréplica, Witer afirmou que pretende estabelecer um “padrão de excelência” para a rede e prometeu buscar uma melhora ampla nos serviços.
“Nós vamos fazer a saúde do Tocantins ser a melhor do Brasil”, disse.
As afirmações dos candidatos sobre situações específicas nos hospitais foram feitas durante o confronto eleitoral e não foram verificadas em tempo real pela organização do debate.
Witer questiona financiamento de 50 escolas
Na inversão das perguntas, Witer levou a discussão para a educação e cobrou explicações sobre uma proposta do plano de governo de Vicentinho para construir 50 escolas de tempo integral com centros de tecnologia digital.
O candidato do PSOL questionou principalmente a participação da iniciativa privada no financiamento das unidades e quis saber como os contratos seriam pagos pelo Estado.
Vicentinho respondeu que a prestação do serviço educacional continuaria pública, mas defendeu a possibilidade de recorrer à iniciativa privada para construir a infraestrutura.
Segundo ele, o modelo permitiria diluir o impacto de aproximadamente R$ 500 milhões em investimentos e preservar recursos do orçamento para outras áreas.
“Serviços públicos, como a saúde pública e a educação, não se terceirizam. Agora, a construção de um hospital, a construção de uma escola, a obra física, ela pode ser, sim, de uma forma republicana, moderna”, afirmou.
O tucano citou como exemplos escolas indígenas e unidades com problemas estruturais e defendeu que mecanismos de parceria poderiam acelerar a modernização da rede.
Witer cobra destino dos prédios após contratos
Na réplica, Witer disse não ser contrário às parcerias com o setor privado, mas cobrou garantias sobre o patrimônio construído.
Para ele, contratos de longo prazo precisam deixar claro que os prédios permanecerão para o Estado após o encerramento da parceria.
“Você vai passar 30 anos pagando aluguel de uma escola dessa e chegar ao final de 30 anos, nós vamos ter que pagar em outro lugar?”, questionou.
Witer aproveitou a discussão para apresentar outra proposta: instalar energia solar nas escolas estaduais. Segundo ele, o objetivo seria reduzir despesas com eletricidade e direcionar a economia para climatização, laboratórios e tecnologia.
Vicentinho respondeu na tréplica que os contratos previstos em seu plano teriam duração entre 20 e 35 anos e afirmou que, ao final, os imóveis seriam incorporados ao patrimônio estadual.
“Eu não vou pagar aluguel para, ao final, o prédio ficar privado”, disse.
O candidato argumentou que a participação privada permitiria diminuir o impacto imediato das obras sobre o caixa estadual e liberar capacidade financeira para investimentos em rodovias, saúde e outras áreas.
O segundo bloco, portanto, colocou em discussão duas das maiores estruturas do orçamento estadual: saúde e educação. Enquanto os dois candidatos convergiram nas críticas a problemas enfrentados pelos serviços públicos, divergiram principalmente sobre os caminhos para financiar a expansão da infraestrutura educacional.