Logo MIB - Mitologia Brasileira e ou Mitologia Indígena Brasileira
Logo MIB – Mitologia Brasileira

Projeto realizado pela RAKA Comunicações com recursos da Lei Rouanet Norte reúne pesquisa e autoria de Marco Aurélio Jacob e propõe aproximar novas gerações das histórias, cosmologias e saberes dos povos originários

Entre florestas, rios, serras, aldeias e territórios ancestrais do Brasil, histórias transmitidas ao longo de gerações ganham uma nova linguagem por meio do projeto MIB – Mitologia Indígena Brasileira em Quadrinhos, realizado pela RAKA Comunicações, com recursos da Lei Rouanet Norte, conquistados por meio de edital.

Com pesquisa e autoria dos roteiros de Marco Aurélio Jacob, o projeto utiliza a linguagem das histórias em quadrinhos para construir uma grande aventura inspirada nas mitologias, cosmologias, personagens, narrativas e conhecimentos de diferentes povos originários, aproximando esse patrimônio cultural especialmente das novas gerações.

Para o realizador, “Muito além de falar dos povos originários, indígenas, é uma proposta que fala de forma mais ampla de todo o nosso território original que hoje chamamos Brasil, por isso resolvi chamar de Mitologia Brasileira, pois não se trata da identidade de um povo, mas de todos os povos que formam a nossa nação.”

O enredo da narrativa de MIB

Mais do que simplesmente reproduzir mitos, MIB cria um universo ficcional no qual diferentes histórias são apresentadas como conhecimentos vivos, transmitidos por aqueles que assumem a responsabilidade de escutar, preservar e compartilhar a memória.

No centro dessa narrativa está Smikidi uma espécie de biblioteca viva. Guardiã das histórias, possui ainda um poder extraordinário: consegue assumir a forma de uma majestosa onça-pintada, estabelecendo uma conexão entre o universo humano, a natureza e o mundo espiritual. Se transforma em Onça para enfrentar os perigos e poder se deslocar rapidamente entre uma aldeia e outra. Uma anciã que há séculos percorre territórios indígenas reunindo, ouvindo e compartilhando histórias.

Sua missão foi confiada por um ancestral Conselho de Guardiões, responsável por proteger conhecimentos, histórias e memórias.

Depois de mais de 300 anos percorrendo aldeias, florestas e, no mundo contemporâneo, também escolas, Smikidi começa a sentir o peso do tempo. Ela sabe que nenhuma guardiã é eterna e que chegou o momento de procurar alguém capaz de continuar sua missão.

É justamente daí que nasce uma das grandes perguntas da série:

Quem será a próxima Guardiã das Histórias?

Um Conselho formado por diferentes mundos

A primeira edição apresenta o universo de MIB a partir de uma reunião extraordinária do Conselho dos Guardiões, realizada no Monte Roraima.

Neste encontro, Smikidi apresenta aos demais integrantes sua intenção de iniciar uma longa jornada em busca de uma sucessora, alguém que será preparada durante anos até estar apta a assumir a responsabilidade de proteger e transmitir as histórias e, futuramente, herdar também o poder do zoomorfismo em onça.

É nesse encontro que surge também um dos princípios que orientam toda a obra:

“Nós não somos donos das histórias. Somos seus guardiões.”

Smikidi sintetiza esse pensamento ao afirmar:

“Toda história permanece viva enquanto houver alguém disposto a contá-la.”

A partir daí, preservar histórias deixa de significar apenas armazená-las. Significa mantê-las circulando entre crianças, jovens, adultos e anciões.

Marco Jacob entrevista anciões – Aldeia Salto – Akwê Xerente – Foto Marcia Ribeiro

A busca pela nova Guardiã

Depois de receber autorização do Conselho, Smikidi retorna ao mundo em busca de sua sucessora.

Para Smikidi, a futura guardiã deverá aprender princípios essenciais:

“Ouvir antes de falar; perguntar antes de afirmar; conhecer os povos sem acreditar que pode falar por eles; e compreender que guardar uma história não significa ser sua proprietária.”

Uma aventura pelo Brasil indígena

Cada episódio de MIB – Mitologia Brasileira em Quadrinhos é concebido para apresentar uma narrativa, mito, personagem ou cosmologia relacionada aos povos abordados pelo projeto.

Paralelamente, prossegue a grande aventura de Smikidi e dos possíveis novos guardiões.

Dessa forma, as histórias tradicionais não aparecem isoladas como verbetes ou conteúdos didáticos. Elas são inseridas dentro de uma narrativa maior, envolvendo fantasia, aventura, humor, emoção, conflitos e descobertas.

O universo visual percorre paisagens que vão das florestas amazônicas aos campos e serras do Cerrado, passando por rios, aldeias e territórios onde natureza, espiritualidade e memória estão profundamente relacionadas.

A proposta é que o leitor viaje pelo Brasil juntamente com os personagens.

Quadrinhos como instrumento de educação e preservação cultural

MIB parte da compreensão de que as histórias em quadrinhos possuem enorme potencial para aproximar crianças e jovens de conteúdos históricos e culturais.

A combinação entre narrativa sequencial, ilustração, aventura e fantasia permite trabalhar assuntos complexos por meio de uma linguagem acessível, sem eliminar a profundidade dos temas abordados.

Ao apresentar diferentes povos, territórios e formas de compreender o mundo, o projeto procura também contribuir para combater visões genéricas e estereotipadas sobre os povos indígenas.

O Brasil indígena apresentado em MIB não está preso ao passado.

Smikidi atravessa aldeias, mas também chega às escolas. Seus personagens dialogam com ancestralidade e contemporaneidade. Os conhecimentos transmitidos por gerações continuam vivos e encontram novas formas de circular.

Pesquisa e criação

A pesquisa e a autoria de MIB – Mitologia Brasileira em Quadrinhos são assinadas por Marco Aurélio Jacob, indigenista, jornalista, produtor cultural e pesquisador com trajetória ligada à comunicação, ao audiovisual e a projetos relacionados às culturas e aos povos originários.

“Serão 5000 exemplares, 500 serão em Braile, e vamos lançar em 10 escolas de 10 cidades tocantinenses para ampliar o acesso as nossas histórias e levar a mitologia brasileira para a sala de aula e para os institutos de pessoas com visão reduzida, enviaremos pelos correios o kit com as 10 primeiras edições dos HQs” completa Jacob.

A construção do universo de MIB parte de pesquisas sobre narrativas tradicionais, cosmologias e personagens de diferentes povos, posteriormente trabalhadas dentro de uma narrativa ficcional própria.

Um dos desafios do projeto é justamente reconhecer que não existe uma única “mitologia indígena brasileira” e sim a “Mitologia Brasileira”. E assume que existem diferentes povos, línguas, territórios, memórias e maneiras de compreender a origem do mundo e as relações entre seres humanos, natureza e espiritualidade.

Por isso, a diversidade não funciona apenas como cenário da série: ela constitui um dos fundamentos da própria narrativa.

Marco Jacob com as crianças – Pesquisa para o Doc. “Lendas do Cerrado” – Aldeia Cocalinho – Apinajé – 2021- Foto Felipe Meneses

Cultura que precisa continuar circulando

Realizado pela RAKA Comunicações, por meio de recursos da Lei Rouanet Norte do Ministério da Cultura do Governo Federal, o projeto busca unir produção cultural, literatura, arte sequencial, pesquisa e educação.

A expectativa é que os quadrinhos contribuam para despertar em crianças e jovens o interesse pelas culturas indígenas e, principalmente, a compreensão de que essas culturas permanecem vivas, contemporâneas e em permanente transformação.

Na trama, Smikidi procura alguém para continuar seu trabalho.

Fora dela, MIB propõe uma missão semelhante ao próprio leitor: escutar, conhecer, respeitar e ajudar a manter essas histórias circulando.

Porque, como ensina a Guardiã das Histórias:

“Toda história permanece viva enquanto houver alguém disposto a contá-la.”

Marco Jacob com Cutxã – O Guardião das Histórias Kraho – Aldeia Manuel Alves – 2021 – Foto Felipe Meneses

SOBRE O PROJETO

Projeto: MIB – Mitologia Brasileira em Quadrinhos
Realização: RAKA Comunicações
Pesquisa e autoria: Marco Aurélio Jacob
Linguagem: História em quadrinhos / literatura / cultura indígena
Gênero: Aventura, fantasia e drama
Temas: Mitologias e cosmologias indígenas, ancestralidade, memória, diversidade cultural, natureza, identidade e transmissão de conhecimentos
Realização por meio da Lei Rouanet Norte do Ministério da Cultura, Governo Federal. 

Patrocínio: Banco do Brasil

Patrocinadores da Lei Rouanet Norte: 

Banco do Brasil, Caixa Economica Federal, Banco da Amazônia e Correios

Foto Marco Jacob 2023
Marco Jacob

Diretor Geral, COO, CFO e Colunista.

Marco Aurélio Jacob cursou Comunicação Social - Publicidade e Propaganda (UP - Curitiba), especializado em Comunicação e Semiótica pela PUC-PR e Cultura e Antropologia pela UFT. Produtor Cultural, atuou como professor universitário e tem publicações no Brasil e no exterior. Atua nas áreas de Web, Cinema, Rádio e Televisão.

Marco Aurélio Jacob cursou Comunicação Social - Publicidade e Propaganda (UP - Curitiba), especializado em Comunicação e Semiótica pela PUC-PR e Cultura e Antropologia pela UFT. Produtor Cultural, atuou como professor universitário e tem publicações no Brasil e no exterior. Atua nas áreas de Web, Cinema, Rádio e Televisão.