Foto: Isadora Reis
Foto: Isadora Reis
Recicla Taquaruçu une universidade, comunidade e arte para transformar resíduos em consciência ambiental e geração de trabalho e renda na Economia Circular

Projeto chegou ao quarto ano de atuação no Festival Gastronômico e contou com a participação especial do Bloco Botafogo

Por Marco Jacob (@marcojacobrasil)

O crescimento dos eventos culturais e turísticos em Taquaruçu também trouxe um importante desafio: garantir a destinação adequada dos resíduos produzidos durante as programações. Foi a partir dessa preocupação, somada à indignação da comunidade diante dos incêndios que atingiam a serra, que nasceu, em 2022, o Movimento Vida Viva Taquaruçu, que depois deu origem ao movimento projeto Recicla Taquaruçu.

Segundo a professora Daniela Rosante, coordenadora da ação a iniciativa surgiu de uma mobilização comunitária em defesa do território. Além das queimadas, os moradores passaram a questionar a grande quantidade de resíduos sólidos gerada durante o Festival Gastronômico de Taquaruçu e a necessidade de assegurar sua coleta e destinação corretas, garantindo a limpeza do distrito, localizado na área de Proteção Ambiental de Lajeado, e a geração de trabalho e renda para os trabalhadores do ciclo da reciclagem.

Assista aqui a parceria entre o projeto e o Bloco Botafogo (@blocobotafogo)

https://www.instagram.com/reel/Dc9M4k2P_WK/?stkn=MWJsMG8xb2FmcDQ2MQ==

Em 2026, o Recicla Taquaruçu chegou ao quarto ano de atuação, consolidando uma rede formada por moradores, estudantes, voluntários, instituições públicas, escolas, cooperativas e associações de catadores, além de envolver o comércio e as escolas locais. Entre as instituições parceiras estão estaoá a Associação Circo Os Kaco e o Colégio Crispim Pereira Alencar, pontos de coleta permanentes dentro da comunidade que também desenvolve ações de coleta e que doam encaminham os materiais recicláveis para organizações como a Cooperan e a Associação Recicla e Cria, destinando as latinhas para catadoras locais de Taquaruçu.

OAtualmente, o projeto integra as ações do programa de extensão universitária Viva Vida, Bem Viver e ODS do Curso de Teatro da UFT, fortalecendo a relação entre universidade e comunidade. Essa articulação também aproximou o Recicla Taquaruçu do projeto Voo da Mosca – Mostra de Arte, que passou a incorporar a coleta seletiva e a educação ambiental em suas atividades.

Arte transforma educação ambiental em festa

Uma das principais características do projeto é o uso da arte, da música e da brincadeira como ferramentas de sensibilização, realizando um cortejo cênico alegre e educativo. Durante os eventos, estudantes do curso de Teatro, moradores da comunidade e voluntários do movimento realizam um cortejo artístico para convidar o público a levar latinhas e , garrafas plásticas e outros materiais recicláveis aos pontos de coleta.

Para a Arte Educadora Josely Rocha

O Recicla Taquaruçu tem uma importância que vai muito além de
“recolher latinhas e garrafas pet”.
É uma ação colaborativa, de educação ambiental, de cuidado com o território, geração de renda e sustentabilidade e principalmente dignidade a muitas famílias.

O Recicla Taquaruçu tem uma importância que vai muito além de
“recolher latinhas e garrafas pet”.
É uma ação colaborativa, de educação ambiental, de cuidado com o território, geração de renda e sustentabilidade e principalmente dignidade a muitas famílias.

Com música, encenação e uma paródia inspirada na música Mosca na Sopa deem Raul Seixas, o grupo percorre os espaços de maneira alegre e descontraída. Crianças, famílias e visitantes acompanham o cortejo, registram fotografias, cantam e se sentem motivados a levar o material aos pontos de coletaaprendem como separar corretamente os resíduos.

“A importância da arte, da cultura e da brincadeira popular do cortejo está justamente nessa capacidade de chamar o público e gerar pertencimento e alegria. O cortejo é uma técnica ancestral de mobilização e desperta nas pessoas o desejo de fazer parte, e a  sensibilização para a ação”, destaca Daniela.

A metodologia busca superar uma das maiores dificuldades encontradas em eventos de grande porte: a rapidez com que os resíduos são descartados. Como o público é numeroso e flutuante, as orientações precisam ser transmitidas várias vezes e por diferentes meios.

Daniela defende, por isso, que a mensagem da coleta seletiva também seja reforçada no palco, ao longo de toda a programação. A divulgação deve informar a localização dos pontos de coleta, explicar quais materiais podem ser entregues e apresentar as associações responsáveis pelo recebimento dos recicláveis, valorizando esses trabalhadores tão invisibilizados e precarizados em sua tarefa crucial para toda sociedade

Parceria amplia atividades no festival

Nesta edição do Festival Gastronômico, o Recicla Taquaruçu contou com aproximadamente 20 participantes, entre estudantes e voluntários. Foram instalados quatro pontos de coleta, além do EcoBus da Fundação Municipal de Meio Ambiente.

No espaço, as equipes desenvolveram atividades destinadas às crianças e às famílias, incluindo doação de sementes e distribuição de materiais educativos para colorir, brincar e aprender sobre preservação ambiental.

Para a professora, a aproximação com a Fundação Municipal de Meio Ambiente representa um passo importante para ampliar o projeto. A parceria permite que a gestão pública conheça a metodologia construída pela comunidade durante os últimos quatro anos e contribua para o seu aperfeiçoamento, podendo escalonar a ação e seus resultados.

A participação dos universitários também agregou novas ideias e tecnologias ao processo. A cada edição, as equipes avaliam os resultados, identificam dificuldades e desenvolvem estratégias para melhorar a coleta seletiva em ambientes com grande concentração de pessoas e intensa programação cultural.

Projeto quer gerar trabalho e renda

Apesar dos avanços, um dos principais desafios do Recicla Taquaruçu é alcançar sustentabilidade financeira. Daniela ressalta que o trabalho de educação ambiental e coleta seletiva não pode depender permanentemente da atuação voluntária.

“O nosso grande desafio agora é gerar trabalho e renda para as pessoas envolvidas. Temos arte educadores ambientais e integrantes que participam dessa ação há três ou quatro anos. Essas pessoas precisam ser remuneradas”, afirma.

A proposta é estruturar um modelo no qual os trabalhadores que realizam a coleta, possam atuar profissionalmente nos eventos realizados em Taquaruçu. Além de assegurar a continuidade da iniciativa, a remuneração reconheceria a importância dos serviços ambientais prestados à comunidade e aos organizadores pelas próprias associações de reciclagem, valorizando assim pessoas que nas últimas décadas contribuíram e geraram impactos ambientais concretos e significativos.

Os materiais recolhidos nesta edição serão encaminhados à Associação Recicla e Cria, onde serão separados e pesados. O resultado deverá ser divulgado após a conclusão do festival. Na edição anterior, aproximadamente 270 quilos de resíduos recicláveis foram retirados do descarte comum que vão para o aterro sanitário, gerando economia para os cofres públicos.

Trabalho nas escolas já alcançou toneladas

A atuação do Recicla Taquaruçu não se limita aos grandes eventos. O projeto também desenvolve ações educativas nas escolas e incentiva a participação permanente da comunidade, que entrega os recicláveis limpa e secos nos dois pontos de coleta: o circo e a escola.


No primeiro ano das atividades escolares, cerca de 1,5 tonelada de materiais recicláveis foi recolhida e doada a uma cooperativa e a uma associação. No ano seguinte, o volume chegou a aproximadamente três toneladas.

Além do impacto ambiental, os resultados permitem construir uma base de dados sobre a geração e a destinação de resíduos no território. Essas informações podem contribuir para o planejamento das políticas públicas e para o fortalecimento da coleta seletiva em Palmas que ainda é muito incipiente carece de uma política pública mais adequada que implemente urgente sistemas integrais de coleta seletiva pela própria logística do sistema, como é feito em grande centros como Curitiba. 

A experiência reúne comunidade local, universidade, escolas, artistas, voluntários, associações e poder público em torno de uma metodologia que poderá ser aplicada em outros eventos e territórios.

“O Recicla Taquaruçu mostra que é possível imaginar um modelo de ação construído coletivamente e que possa ser replicado em outros contextos”, avalia Daniela.

Mais do que recolher latinhas e garrafas, o projeto propõe uma mudança cultural. Por meio da educação popular e da arte, a iniciativa convida a sociedade a abandonar uma lógica baseada no desperdício e a construir uma cultura de responsabilidade, consciência e abundância.

“A humanidade precisa mudar sua forma de existir. Precisamos sair de uma cultura de desperdício para uma cultura de consciência. A arte e o cortejo ajudam a mostrar que essa transformação também pode acontecer com alegria”, conclui a professora.

Uma das marcas do Recicla Taquaruçu é a utilização da arte, da música e da brincadeira para sensibilizar o público. Por meio de um cortejo artístico e de uma paródia inspirada em Raul Seixas, os participantes percorreram o festival convidando as pessoas a separar e levar latinhas, garrafas plásticas e outros resíduos aos pontos de coleta

Bloco Botafogo

O Bloco Botafogo também participou da ação e entrou no ritmo da música e do cortejo, ampliando a alegria e a força da mensagem ambiental. Para o grupo, iniciativas como essa ajudam a sensibilizar a sociedade, por meio da arte, sobre a importância da separação dos resíduos e da transformação de hábitos que precisam ser repensados.

A reciclagem contribui para que materiais e matérias-primas sejam reinseridos no sistema produtivo, estimulando uma dinâmica mais integrada, consciente e baseada no reaproveitamento. Além de reduzir o desperdício e a exploração de novos recursos naturais, essa prática amplia a vida útil dos aterros sanitários.

“Poder participar de ações como essa é sempre uma honra e uma alegria. A arte tem a capacidade de sensibilizar, aproximar as pessoas e mostrar que cada atitude pode contribuir para transformar o mundo”, destacou o Bloco Botafogo.

Os resíduos recolhidos durante o festival serão encaminhados à Associação Recicla e Cria, onde passarão por separação e pesagem. Na edição anterior, aproximadamente 270 quilos de materiais recicláveis foram retirados do descarte comum.

Para Daniela Rosante, o grande desafio agora é garantir sustentabilidade financeira ao projeto, com a remuneração dos educadores ambientais e das pessoas que trabalham há vários anos na iniciativa. A proposta é consolidar uma metodologia que possa ser aplicada em outros eventos e comunidades.

Mais do que recolher resíduos, o Recicla Taquaruçu promove uma mudança de consciência. Com música, educação e participação coletiva, o projeto demonstra que a transformação ambiental também pode acontecer com festa, criatividade e alegria.

Foto Marco Jacob 2023
Marco Jacob

Diretor Geral, COO, CFO e Colunista.

Marco Aurélio Jacob cursou Comunicação Social - Publicidade e Propaganda (UP - Curitiba), especializado em Comunicação e Semiótica pela PUC-PR e Cultura e Antropologia pela UFT. Produtor Cultural, atuou como professor universitário e tem publicações no Brasil e no exterior. Atua nas áreas de Web, Cinema, Rádio e Televisão.

Marco Aurélio Jacob cursou Comunicação Social - Publicidade e Propaganda (UP - Curitiba), especializado em Comunicação e Semiótica pela PUC-PR e Cultura e Antropologia pela UFT. Produtor Cultural, atuou como professor universitário e tem publicações no Brasil e no exterior. Atua nas áreas de Web, Cinema, Rádio e Televisão.