
Uma fala durante sessão do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) acabou puxando um debate maior sobre a estrutura administrativa do Estado. O desembargador João Rodrigues Filho colocou em xeque a quantidade de municípios tocantinenses e associou o modelo ao uso pouco eficiente dos recursos públicos.
Segundo ele, o problema não está apenas na divisão territorial em si, mas no custo que ela carrega. Cada cidade, lembrou, exige uma estrutura mínima: prefeito, vice, vereadores e secretariado, o que amplia despesas fixas e, na prática, consome boa parte do orçamento.
“Cada município desses leva muito recurso para manter a própria máquina, e isso nem sempre retorna em benefício direto para a população”, afirmou durante a sessão.
Para sustentar o argumento, o magistrado comparou o Tocantins com outro estado da região Centro-Oeste. Mesmo com território maior e população quase duas vezes superior, o Mato Grosso do Sul tem menos municípios. O contraste, segundo ele, ajuda a ilustrar o que chamou de “proliferação” administrativa.
“Eu sou crítico desse número de municípios. Acho que isso acaba empobrecendo o Estado”, disse.
A declaração ganhou repercussão fora do plenário e circulou nas redes sociais. Diante disso, no dia seguinte, o desembargador voltou ao tema e reafirmou o posicionamento, mas destacou que a fala foi feita dentro de um contexto específico de discussão sobre cidades de pequeno porte.
“Não retiro o que disse. Foi uma análise crítica dentro do debate”, pontuou, ao afastar a ideia de comentário isolado.