
Um vídeo gravado em Palmas e publicado nas redes sociais voltou a chamar atenção depois de ultrapassar 9 milhões de visualizações e se aproximar das 800 mil curtidas. No registro, uma menina de apenas um ano de idade observa fotografias antigas da família quando aponta para uma mulher já morta e insiste: é ela.
A criança é filha da estudante de medicina veterinária Loyse Araújo. A mulher que aparece nas fotos morreu há 12 anos e era prima da mãe de Loyse. Mesmo diante de diferentes imagens, a menina mantém a mesma resposta quando é questionada sobre quem está nas fotografias.
O vídeo foi gravado em 2025, quando Loyse ainda morava em Palmas. Hoje, ela vive em Pernambuco, enquanto parte da família continua no Tocantins.
A reação da filha, segundo a mãe, não foi um episódio isolado. Antes da gravação que viralizou, a menina já havia feito outra associação que chamou a atenção da família: ao ver uma fotografia do avô de Loyse, já falecido, disse que era o “vovô dela”.
“Foi a segunda palavra que falou, depois de ‘mamãe’. Antes, eu não havia mostrado nem ensinado quem ele era”, conta Loyse.
A mãe é espírita kardecista e interpreta os episódios a partir da crença na reencarnação. Ela afirma que, depois da repercussão do vídeo, passou a receber mensagens de outros pais relatando experiências parecidas com os filhos.
Para Loyse, o mais importante é não transformar esse tipo de situação em uma espécie de investigação familiar. “São flashes de memórias. O ideal é não incentivar o assunto, não ficar lembrando ou chamando a criança por outro nome, para não causar confusão de identidade”, orienta.
Como o espiritismo interpreta esses relatos
Dentro da Doutrina Espírita, relatos como o da menina podem ser relacionados à ideia de que o espírito existe antes do nascimento e passa por diferentes encarnações. A explicação é dada por Alberto Carlos de Jesus Carneiro, engenheiro eletricista e mentor da doutrina espírita.
Segundo ele, embora o espiritismo considere que exista um processo de esquecimento das experiências de vidas anteriores após a reencarnação, algumas lembranças poderiam aparecer de maneira pontual, principalmente durante os primeiros anos de vida.
“Embora exista a lei do esquecimento no processo reencarnatório, podem surgir flashes por meio de intuição ou sonhos”, explica.
Alberto afirma que, nessa fase, a criança estaria mais próxima da dimensão espiritual, segundo a visão espírita. Essa ligação, de acordo com a doutrina, se tornaria menos evidente com o avanço da idade, especialmente a partir dos sete anos.
É dentro dessa perspectiva que o comportamento da filha de Loyse é interpretado como uma possível lembrança de uma existência anterior — embora o relato pertença ao campo da crença religiosa e não constitua, por si só, uma comprovação de reencarnação.
O próprio Alberto ressalta que adultos não devem estimular a criança a produzir novas lembranças ou tentar descobrir quem ela teria sido em uma suposta vida anterior.
“A Doutrina Espírita orienta que as coisas aconteçam de forma natural”, afirma. Segundo ele, insistir no assunto ou alimentar a curiosidade dos familiares pode interferir no desenvolvimento da criança.
Para Loyse, diante de situações como a vivida pela filha, a recomendação é semelhante: acolher o relato sem pressionar a criança e deixar que o assunto siga naturalmente.