Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCETO) - Foto: Divulgação
Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCETO) - Foto: Divulgação

Duas licitações realizadas por prefeituras do Tocantins foram consideradas ilegais pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-TO) por problemas que vão de falhas no planejamento e ausência de documentos a preços considerados acima dos valores de referência. Os processos envolvem a compra de medicamentos em Sandolândia e a contratação de estruturas para eventos em Mateiros.

As decisões foram tomadas pelo Pleno do TCE em 3 de agosto e publicadas no Boletim Oficial do Tribunal nessa quarta-feira, 12. Apesar de terem sido analisados na mesma sessão, os casos são independentes.

Sandolândia: licitação de R$ 2,3 milhões

Em Sandolândia, o Tribunal analisou um pregão eletrônico aberto para comprar medicamentos, materiais hospitalares e produtos odontológicos para as unidades básicas de saúde e o Fundo Municipal de Saúde. O valor previsto era de R$ 2,39 milhões.

A fiscalização encontrou problemas ainda na preparação da licitação. Segundo o TCE, não havia memórias de cálculo que justificassem as quantidades previstas e o processo não estabelecia adequadamente os limites mínimos e máximos de aquisição.

Também foram apontadas falhas na documentação das despesas. A administração não apresentou notas fiscais e outros documentos solicitados durante a fiscalização, além de ter sido identificada deficiência na alimentação do Sicap, sistema utilizado pelo Tribunal para acompanhar informações da administração pública.

Outro problema apontado foi a divulgação insuficiente dos atos relacionados ao procedimento.

Pelas irregularidades, a então gestora do Fundo Municipal de Saúde, Lorena Nunes de Souza, recebeu três multas de R$ 2 mil cada. A penalidade totaliza R$ 6 mil.

A decisão está na Resolução nº 918/2026, relatada pelo conselheiro Napoleão de Souza Luz Sobrinho.

Em Mateiros, Tribunal vê sobrepreço em estruturas para eventos

Em Mateiros, o problema analisado pelo TCE envolveu uma licitação para registrar preços de serviços de locação de estruturas destinadas a eventos pelo período de 12 meses.

O contrato previsto incluía itens como palco, som, iluminação, tendas, geradores, mesas, cadeiras e painéis.

O Tribunal considerou que a Prefeitura não conseguiu justificar adequadamente as quantidades previstas. Também questionou a pesquisa utilizada para definir os preços: segundo a fiscalização, ela foi feita somente com potenciais fornecedores e terminou depois da homologação da licitação.

A análise ainda apontou sobrepreço nos valores estimados.

Apesar das irregularidades, o Tribunal não identificou, neste momento, prejuízo financeiro efetivamente comprovado. Isso porque a ata não chegou a gerar contratação ou pagamento.

Mesmo assim, o TCE determinou que o município não faça novas adesões, prorrogações ou contratos com base naquele procedimento.

O prefeito Jesy Vieira Tavares e o responsável pelo pregão, Kauan Alves Pereira, foram multados em R$ 2 mil cada.

Tomada de contas vai aprofundar apuração

Além das multas, o Tribunal determinou a abertura de uma tomada de contas especial para investigar com mais detalhes as irregularidades encontradas em Mateiros.

O procedimento deverá identificar as responsabilidades de cada envolvido e verificar se houve eventual dano aos cofres públicos.

O processo foi relatado pelo conselheiro José Wagner Praxedes.

Somadas, as multas aplicadas nos dois casos chegam a R$ 10 mil. As decisões ainda estão sujeitas aos recursos previstos no âmbito do próprio Tribunal de Contas.

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins