
O candidato ao Governo do Tocantins Vicentinho Júnior (PSDB) abriu a campanha do segundo turno anunciando novos apoios e deixando claro seu posicionamento na disputa pela Presidência da República. Durante coletiva de imprensa na tarde desta segunda-feira, 5, ele declarou voto em Flávio Bolsonaro (PL), anunciou a adesão da vereadora Professora Iolanda, de Palmas, e afirmou ter recebido o apoio de vereadores de Gurupi.
Vicentinho chegou à segunda etapa da eleição depois de receber 372.848 votos, equivalentes a 43,94% dos votos válidos. Professora Dorinha (União Brasil) terminou o primeiro turno com 386.260 votos, ou 45,52%. A diferença entre os dois foi de 13.412 votos, ou 1,58 ponto percentual.
Na coletiva, Vicentinho afirmou que Iolanda Castro é o primeiro novo apoio anunciado por sua campanha nesta segunda etapa. Segundo ele, a vereadora já havia votado em sua candidatura no primeiro turno, mas ainda não havia declarado apoio publicamente.
“Hoje, a vereadora Iolanda é o meu primeiro apoio”, afirmou.
O candidato também recebeu vereadores de Gurupi durante a coletiva. Segundo Vicentinho, seis parlamentares municipais já estavam no local e outros dois eram aguardados para declarar apoio, chegando a oito vereadores. Ele afirmou que alguns já haviam votado nele no primeiro turno, mas ainda não integravam publicamente sua campanha. O nomes são: Pedro Morais, Mário Cézar, Marilis Fernandes, André Caixeta, Romildo Santos, Rodrigo Maciel e Débora Ribeiro. A expectativa de outras adesões.
As adesões fazem parte da estratégia de ampliação da base para os próximos 20 dias de campanha. Vicentinho disse que começou a segunda-feira agradecendo aos eleitores que o levaram ao segundo turno e procurando lideranças e grupos dos quais pretende conquistar apoio.
“Começo agradecendo a muitos dos que me botaram na condição honrosa de representar no segundo turno e ligando para outros que eu quero conquistar a confiança”, disse.
Vicentinho declara voto em Flávio Bolsonaro
Outro ponto da coletiva foi a eleição presidencial. Vicentinho declarou que votará em Flávio Bolsonaro, que disputa o segundo turno contra o presidente Lula (PT).
O candidato ao governo relacionou a decisão a posições que diz defender ao longo de sua trajetória política, citando pautas econômicas, redução da presença do Estado e defesa do agronegócio. “Ele é a opção que ele tiver, eu voto nele por questões de coisas que eu acredito, de pautas que eu acredito. Eu acredito num Estado pequeno, eu acredito num Estado desburocratizado, eu acredito no meu agro brasileiro”, afirmou.
Vicentinho também disse que apoiou Jair Bolsonaro em eleições anteriores e procurou diferenciar seu posicionamento daquele adotado por Dorinha. Durante a fala, criticou a adversária por manter relações políticas e indicações no governo Lula e, ao mesmo tempo, aproximar-se do campo político de Flávio Bolsonaro para o segundo turno.
A crítica ocorre no momento em que aliados de Dorinha também articulam aproximação com Flávio. Nesta segunda-feira, o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), Dorinha, o senador reeleito Eduardo Gomes (PL), o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos), e outras lideranças se reuniram para discutir a estratégia da segunda etapa da campanha, incluindo o apoio presidencial. “Eu sou um homem de direita”, afirmou Vicentinho. “Torço pelo presidente Flávio”, acrescentou.
Apesar da preferência presidencial, o candidato disse que, caso seja eleito governador, pretende manter relação institucional com quem vencer a eleição nacional.
“Quem quer que esteja no governo federal, seja o presidente Lula, torço pelo presidente Flávio, vai ter que cumprir com todas as obrigações com o meu Estado do Tocantins”, afirmou.
Críticas às pesquisas
Vicentinho dedicou parte considerável da entrevista a questionar pesquisas eleitorais divulgadas durante o primeiro turno. Segundo ele, levantamentos publicados na reta final apresentavam uma distância entre sua candidatura e Dorinha que não se confirmou nas urnas. “Eu passarei esses próximos últimos dias questionando as pesquisas pelo resto da vida”, disse, citando institutos que divulgaram levantamentos no Tocantins.
O resultado oficial mostrou uma disputa mais próxima: Dorinha terminou com 45,52%, contra 43,94% de Vicentinho. O Tocantins ficou entre os estados com as disputas mais apertadas para governador no primeiro turno.
Vicentinho afirmou que considera legítimo o papel das pesquisas de medir o sentimento do eleitorado, mas questionou diferenças entre levantamentos divulgados antes da votação e o resultado das urnas.
‘Não vou me reinventar’
Para o segundo turno, o candidato disse que não pretende alterar a postura adotada até agora, mas destacou uma mudança importante: os dois concorrentes passarão a ter condições mais equilibradas de exposição na propaganda eleitoral. “Eu não vou me reinventar no segundo turno. É o mesmo Vicentinho que sou a vida inteira: respeitoso, propositivo, quero debater”, afirmou.
Ele reclamou do pouco tempo que teve para apresentar propostas no primeiro turno e disse que a nova etapa permitirá aprofundar seu programa. Antes mesmo da confirmação do segundo turno, Vicentinho já havia afirmado que manteria a mesma linha de campanha caso avançasse na disputa.
O candidato também voltou a criticar a estrutura política reunida em torno de Dorinha. Segundo ele, a campanha adversária construiu durante o primeiro turno uma expectativa de vitória sem necessidade de uma segunda votação.
Vicentinho afirmou que pretende agora disputar eleitores que não estiveram com sua candidatura no domingo e ampliar alianças até o dia da votação.
Segundo turno em 25 de outubro
Dorinha e Vicentinho voltam às urnas no próximo dia 25 de outubro. Nenhum candidato alcançou mais de 50% dos votos válidos no primeiro turno, o que levou a disputa pelo Palácio Araguaia à segunda etapa.
Vicentinho afirmou que os próximos dias serão marcados pela busca de novos apoios, mas defendeu que a campanha permaneça centrada na apresentação de propostas. “Espero que nós tenhamos um segundo turno respeitoso, como nós fizemos aqui também”, declarou.