A pré-campanha que urge: menos “Tocantins idealizado” de performance e mais Tocantins vivido com presença

Maju Cotrim

A pré-campanha no Tocantins começa a ganhar contornos mais definidos e, ao mesmo tempo, mais desafiadores. O desenho que se forma não é apenas de nomes colocados à mesa, mas de narrativas em disputa. E é justamente aí que mora o ponto central: quem vai conseguir traduzir, com verdade, o que é o Tocantins de hoje?

A professora Dorinha chega como a única pré-candidata mulher ao governo, e isso, por si só, já carrega um peso político simbólico relevante. Não apenas pela representatividade, mas pela expectativa de renovação de linguagem. Dorinha tem uma base robusta, capilarizada, com forte presença institucional e respaldo político e entra na fase mais delicada: transformar estrutura em conexão. Base política sustenta candidatura e a identificação popular é o que move a eleição. Ao lado de Eduardo Gomes, exímio articulador de bases, e com apoio “de corpo e alma” do governador Wanderlei Barbosa, ela segue ajustando os ponteiros dessa fase de pré-campanha.

Do outro lado, outro grupo tenta se consolidar com nomes em busca de construção de densidade própria. Vicentinho Júnior, com sua já conhecida capacidade de articulação e presença em agendas estratégicas, joga no campo da mobilização e da construção de alianças. Amélio Cayres representa um eixo de poder legislativo que dialoga diretamente com prefeitos e lideranças municipais, um ativo importante num estado onde a política ainda pulsa no território.

Já Laurez Moreira insiste na tecla da experiência administrativa e tenta se reposicionar como elo entre gestão e futuro, porém com desafios cada dia maiores de discurso e de coerência.

Ataídes Oliveira, por sua vez, aposta no discurso anticorrupção.

Mas o desafio talvez de todos os grupos não é só a soma de currículos: é a coerência de discursos.

Há um risco claro em curso: o de que a pré-campanha se transforme em um teatro de personagens prontos, onde alguns ocupem papéis previsíveis: o técnico, o político experiente, o articulador, o empresário, sem, de fato, romper a barreira da autenticidade. E o eleitor tocantinense, cada vez mais atento, já não responde com a mesma facilidade a esse tipo de construção.

O Tocantins real não está apenas nos grandes eventos, nas agendas organizadas ou nos discursos alinhados. Está nas contradições, nas demandas urgentes, nas regiões esquecidas, na juventude que quer oportunidade, nas mulheres que querem ser ouvidas para além do simbolismo, no pequeno empreendedor que luta para se manter. E é justamente esse Tocantins que exige ser reconhecido não como cenário, mas como protagonista.

Falta, muitas vezes, sair do script.

Falta menos performance e mais presença. Menos marketing de superfície e mais escuta ativa. Menos “Tocantins idealizado” e mais Tocantins vivido.

Porque encontrar a “tocantinidade” não é repetir clichês sobre identidade regional ou usar elementos culturais como adereço de campanha. É entender profundamente o que move o estado: suas dores, suas potências, suas desigualdades e suas expectativas.

E isso exige coragem política.

Coragem para se mostrar como é. Para assumir limites. Para dialogar sem filtros. Para errar, corrigir e seguir. Para sair do lugar comum e construir uma narrativa que não seja apenas eleitoral, mas verdadeira.

No fim das contas, a eleição que se desenha não será vencida apenas por quem tiver mais apoios ou mais estrutura. Será vencida por quem conseguir ser mais real.

E, nesse momento, a pergunta que fica é simples e, ao mesmo tempo, decisiva: quem, de fato, está disposto a deixar de representar um papel para se tornar uma voz legítima do Tocantins? A população está acompanhando, comparando e vai tirando suas conclusões todos os dias!