
O senador Irajá abriu o jogo, pela primeira vez, sobre os bastidores que o levaram a desistir da disputa pela reeleição ao Senado. Em entrevista exclusiva à Gazeta do Cerrado, ele detalhou o processo que antecedeu a decisão, falou das divergências com o candidato ao governo Laurez Moreira e revelou qual foi a “gota d’água” para deixar a corrida eleitoral.
“Precisei ter a humildade de tomar a decisão”, afirmou.
Irajá reconheceu que a escolha foi difícil, especialmente diante da estrutura política construída durante o mandato, dos compromissos assumidos com lideranças municipais e da expectativa em torno de sua candidatura. Segundo ele, no entanto, chegou o momento em que foi necessário avaliar o cenário com responsabilidade e admitir que permanecer na disputa já não seria a melhor decisão.
A entrevista marca a primeira manifestação ampla do senador após a desistência e esclarece pontos que, até agora, permaneciam restritos aos bastidores políticos.
“Ele perdeu o rumo”, diz Irajá sobre Laurez
Questionado se guarda mágoas de Laurez Moreira e sobre o que diria ao candidato caso ele estivesse presente, Irajá fez uma avaliação dura sobre a condução política do antigo aliado.
Para o senador, Laurez tomou uma “série de decisões equivocadas” ao longo da construção eleitoral.
“Acho que ele se perdeu no caminho”, declarou. Em outro momento, acrescentou: “Ele perdeu o rumo”.
Irajá também esclareceu a controvérsia envolvendo as negociações com o Partido dos Trabalhadores e respondeu se sua intenção era retirar a candidatura petista ao Senado.
“Era uma prioridade nossa manter uma cadeira progressista no Senado. Queríamos uma composição”, pontuou.
Segundo o parlamentar, o objetivo das articulações era construir uma aliança política e eleitoral capaz de preservar a representação do campo progressista no Congresso Nacional, e não simplesmente excluir uma candidatura.
Apoio a Ronaldo Dimas para o Senado
Mesmo fora da disputa, Irajá deverá participar ativamente das eleições deste ano. Na entrevista, ele previu uma das corridas mais acirradas já realizadas no Tocantins pelas duas vagas ao Senado.
“Essa eleição não admite erros”, alertou.
O senador anunciou que apoiará Ronaldo Dimas para uma das vagas. Sobre o segundo voto, afirmou que ainda avalia o cenário e os demais nomes colocados na disputa.
Para o Governo do Tocantins, Irajá revelou que analisa três candidaturas antes de definir oficialmente sua posição. O parlamentar também comentou os apoios que pretende oferecer a candidatos a deputado estadual e reafirmou que estará ao lado do irmão, Iratã Abreu, na disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados.
A posição do senador é aguardada por prefeitos, vereadores e demais lideranças que integram sua base política em diferentes regiões do Tocantins.
Campanha de Lula está “nas melhores mãos possíveis”
Irajá também falou sobre a campanha do presidente Lula no Tocantins, coordenada pela ex-senadora Kátia Abreu. Ele elogiou a atuação política da mãe e demonstrou confiança na capacidade de mobilização que ela pretende desenvolver no estado.
Para o senador, a campanha de Lula no Tocantins está “nas melhores mãos possíveis”.
Irajá chegou a cogitar a possibilidade de vitória do presidente ainda no primeiro turno, destacando a força política, eleitoral e social do projeto de reeleição.
Legado, autocrítica e futuro político
Durante a conversa, Irajá fez ainda um balanço do período em que representou o Tocantins no Senado Federal. Ele apontou o legado que acredita deixar para a população, falou das ações desenvolvidas ao longo do mandato e respondeu qual considera ter sido o maior erro de sua trajetória política.
Ao abordar o assunto, o senador fez uma autocrítica sobre suas decisões e os aprendizados acumulados durante os anos de vida pública.
Apesar de não disputar as eleições deste ano, Irajá garantiu que sua trajetória política não está encerrada. A Gazeta perguntou diretamente: e agora, Irajá? O senador poderá concorrer a algum cargo em 2028 ou nas próximas eleições?
A resposta completa sobre seus próximos passos e suas pretensões eleitorais será publicada nesta quarta-feira pela Gazeta.
A entrevista exclusiva traz uma série de revelações sobre a desistência, os conflitos internos, os apoios para as eleições deste ano e o futuro político de um dos principais nomes da política tocantinense. Os principais trechos serão divulgados ao longo da programação e nas redes sociais da Gazeta do Cerrado.