
A Associação dos Cronistas Esportivos do Tocantins (ACETO) repudiou as agressões, ameaças e hostilizações sofridas pelo narrador esportivo Cícero de Sousa Amorim e sua equipe durante a partida entre Dois Irmãos e Nacional de Nova Olinda, pela Copa Tocantins de Futebol Amador. O episódio ocorreu enquanto os profissionais realizavam a cobertura da competição e, segundo a entidade, incluiu violência verbal, física e ameaça de morte.
Em nota, a ACETO cobrou uma apuração rigorosa do caso, a identificação e responsabilização dos envolvidos, além do reforço de medidas de segurança e prevenção nas competições esportivas realizadas no Tocantins. A entidade também se solidarizou com Cícero Amorim, sua equipe e familiares e ressaltou que profissionais da imprensa devem ter condições de exercer suas atividades com segurança e respeito.
Confira a nota na íntegra:
NOTA DE REPÚDIO
ACETO repudia violência contra cronista esportivo e cobra providências das autoridades
A Associação dos Cronistas Esportivos do Tocantins – ACETO vem a público manifestar seu veemente repúdio aos atos de violência verbal, física, ameaças e hostilizações sofridos pelo narrador esportivo e filiado à entidade, Cícero de Sousa Amorim, e sua equipe de trabalho, durante a partida entre Dois Irmãos e Nacional de Nova Olinda, válida pelo jogo de volta da Copa Tocantins de Futebol Amador, competição promovida pela Secretaria Estadual de Juventude e Esportes do Tocantins.
O que deveria ser uma manifestação de esporte, lazer, competição e confraternização terminou marcado por cenas lamentáveis de intimidação, agressões e ameaça de morte contra um profissional da imprensa que estava no exercício legítimo de sua atividade.
Segundo o relato, Cícero Amorim e sua equipe foram hostilizados e ameaçados por um grupo de torcedores, chegando a ser proferidas ameaças contra sua vida. A situação poderia ter alcançado consequências ainda mais graves não fosse a atuação da Polícia Militar, que garantiu a segurança no local, e a intervenção do secretário estadual de Juventude e Esportes, Fraudneis Fiomare, que, após ser acionado pelo diretor da ACETO, Gil Correia, reforçou o pedido de apoio e contribuiu para que o destacamento policial se deslocasse com urgência e antecipação ao local da partida.
A ACETO reconhece e agradece a atuação dos policiais militares e das autoridades que contribuíram para preservar a integridade física dos profissionais de imprensa. Entretanto, não podemos tratar um episódio dessa gravidade como algo corriqueiro ou simplesmente encerrá-lo com a retirada das pessoas do local.
Ameaça de morte não é manifestação de torcedor. Agressão não é paixão pelo futebol. Intimidação não é rivalidade. Violência não faz parte do esporte.
É preciso deixar claro que o profissional de imprensa tem o direito de trabalhar com segurança, liberdade e respeito. Narradores, repórteres, fotógrafos, cinegrafistas e demais cronistas esportivos não podem ser transformados em alvos de torcedores inconformados com o resultado de uma partida, com uma opinião, uma narração ou qualquer outro aspecto relacionado à cobertura esportiva. A ACETO entende que torcer é um direito. Agredir, ameaçar e intimidar é crime e precisa ser tratado como tal.
Por isso, a entidade cobra das autoridades competentes uma apuração rigorosa dos fatos, com identificação dos responsáveis pelas agressões e ameaças, para que sejam adotadas todas as medidas legais cabíveis. A impunidade, além de injusta com a vítima, alimenta a sensação de que os estádios e praças esportivas são espaços onde tudo pode acontecer sem consequências.
O cronista Cícero Amorim formalizou a comunicação dos fatos às autoridades, tendo sido lavrado o Comprovante de Comunicação de Fato nº 2026/0000687469-6, junto aos canais oficiais da Segurança Pública do Tocantins.
A ACETO acompanhará o caso e espera que as autoridades responsáveis pela investigação não permitam que o episódio caia no esquecimento. É fundamental que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados, dentro do devido processo legal, para que se estabeleça um precedente claro: quem utiliza o ambiente esportivo para ameaçar ou agredir outras pessoas precisa responder por seus atos.
Também fazemos um chamado à responsabilidade coletiva
Torcedores precisam fazer a sua parte. Clubes e equipes precisam fazer a sua parte. Organizadores de competições precisam fazer a sua parte. A imprensa precisa fazer a sua parte. E o poder público, especialmente os órgãos responsáveis pela segurança, precisa garantir que todos possam exercer seus direitos com tranquilidade.
Não é admissível que uma competição esportiva promovida pelo poder público tenha profissionais de imprensa trabalhando sob ameaça ou com medo de sair de uma praça esportiva.
A segurança não pode ser acionada somente depois que o problema acontece. É preciso prevenção, planejamento e presença policial compatível com os riscos de cada partida. Competições esportivas precisam contar com protocolos claros de segurança, especialmente em jogos decisivos, nos quais naturalmente aumentam a tensão e a presença de torcedores.
A ACETO defende o futebol, valoriza o torcedor e reconhece a importância social do esporte. Mas justamente por acreditar no esporte como instrumento de integração e cidadania, não aceitará que a violência seja naturalizada dentro ou fora dos campos.
O futebol tocantinense precisa ser espaço de alegria, competição saudável, convivência e respeito. E não palco para ameaças, agressões e demonstrações de intolerância. Que o lamentável episódio envolvendo o cronista Cícero Amorim sirva de alerta para todos. Que não se espere uma tragédia para tomar providências.
A ACETO se solidariza com seu filiado, sua equipe de trabalho e seus familiares, reafirma seu compromisso com a defesa da categoria e espera das autoridades investigação, responsabilização e medidas efetivas para impedir que fatos semelhantes voltem a acontecer nos espaços esportivos do Tocantins.
Imprensa não é inimiga. Cronista esportivo não é adversário. Profissional que está trabalhando merece respeito e proteção. Violência contra a imprensa é violência contra a democracia, contra a cidadania e contra o próprio esporte.
WPRESLEY JORGE
PRESIDENTE DA ACETO