
Maju Cotrim
O título de Doutora Honoris Causa concedido pela Universidade Federal do Tocantins (UFT) à mestra popular Dona Romana é mais do que uma homenagem individual. É um gesto histórico de reconhecimento à sabedoria ancestral, à cultura viva e às mulheres que sustentam as raízes do Tocantins com fé, resistência e identidade.
Dona Romana representa um Brasil profundo que muitas vezes não está nos livros, mas vive na oralidade, nos saberes populares, nas tradições espirituais, na força comunitária e na preservação da memória coletiva. Sua trajetória carrega a essência de um povo que resiste através da cultura e da espiritualidade.
O Tocantins precisa aprender a reconhecer mais, apoiar mais e proteger mais suas mulheres mestras da cultura popular. Mulheres que fazem da tradição um patrimônio vivo. Mulheres que mantêm acesa a identidade do nosso povo mesmo diante da invisibilidade, da falta de incentivo e das dificuldades históricas enfrentadas pelas expressões culturais populares.

Valorizar essas lideranças não pode acontecer apenas em cerimônias simbólicas. É preciso transformar reconhecimento em políticas públicas permanentes: programas de incentivo à cultura popular, apoio às comunidades tradicionais, inclusão social, registro e preservação dos saberes ancestrais, financiamento para projetos culturais e espaços de formação para as novas gerações.
Quando uma mulher como Dona Romana é reconhecida por uma universidade pública, toda a cultura popular ganha voz. Todo o Tocantins se vê representado. Porque ela simboliza tantas outras mulheres anônimas que sustentam festas tradicionais, benzimentos, cantorias, espiritualidades, rezas, culinária, artesanato e manifestações culturais espalhadas pelos quatro cantos do estado.
O futuro do Tocantins também depende da capacidade de honrar suas raízes.

Que o exemplo de Dona Romana inspire governos, instituições e a sociedade a olharem com mais respeito para aqueles que preservam nossa identidade cultural. Que novas mestras sejam valorizadas ainda em vida. Que tradição não seja tratada como folclore distante, mas como patrimônio humano e social.
Hoje, o Tocantins aplaude uma mulher que se tornou símbolo de resistência, ancestralidade e pertencimento.
Viva Dona Romana.
Viva a cultura popular.
Viva as mulheres que carregam o Tocantins na alma e na história.