Maju Cotrim
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Por Maju Cotrim

Junho bate à porta trazendo consigo o clima de copa, de ruas movimentadas, de agendas populares, de cidades em festa e de um Tocantins que começa, aos poucos, a respirar o ambiente eleitoral de forma mais intensa. E é justamente nesse cenário que as pré-campanhas precisarão decidir se querem ser apenas vitrines digitais ou projetos políticos com conexão verdadeira com o povo.

O Tocantins vive hoje um tempo em que a política corre o risco de se confundir com performance. Vídeos bem editados, frases de efeito, cortes estrategicamente produzidos, números inflados nas redes sociais e uma disputa quase diária por atenção podem até gerar alcance. Mas alcance não é voto. Engajamento não substitui presença. E algoritmo nenhum substitui articulação política de base.

As eleições de 2026 não serão vencidas apenas nos estúdios, nos reels ou nos grupos de marketing. Elas passarão pelas regiões, pelas lideranças locais, pelas conversas de estrada, pelos prefeitos, vereadores, comunitários, produtores, sindicatos, movimentos sociais, setores empresariais e pelas relações políticas construídas olho no olho.

Junho tende a ser um dos meses mais estratégicos do pré-eleitoral tocantinense justamente porque será o período em que as estruturas começarão a ganhar forma. É a hora em que os grupos políticos precisarão olhar menos para a estética e mais para a engenharia política das campanhas.

Quem coordenará cada projeto? Quem serão os articuladores regionais? Quem terá trânsito político no Bico, no Jalapão, no Sudeste, no Vale do Araguaia, no Centro-Norte e na região Sul? Quais grupos terão musculatura real nos municípios? Quem conseguirá montar uma pré-campanha organizada para além das redes sociais?

É nessa fase que campanhas fortes começam a se diferenciar de candidaturas que vivem apenas de espuma digital.

A disputa ao Senado deve ser um dos principais motores de reorganização política neste mês. Os movimentos de bastidores já começaram e junho promete acelerar conversas, alianças, testes de viabilidade e definições importantes. O Senado, no Tocantins, nunca foi uma disputa simples. Exige densidade política, estrutura regionalizada e capacidade de diálogo amplo.

Ao mesmo tempo, pré-candidatos ao governo e à Assembleia precisarão compreender que o eleitor tocantinense continua valorizando proximidade, simplicidade, presença e credibilidade. O Tocantins é um estado de relações políticas muito territoriais. Não existe campanha estadual forte sem capilaridade regional.

As próximas semanas serão decisivas para mostrar quem está construindo projeto e quem está apenas produzindo conteúdo.

Porque, no fim das contas, eleição não se vence apenas com imagem. Se vence com organização, articulação, leitura política e conexão humana verdadeira.

E junho pode ser exatamente o mês em que o Tocantins começará a separar as pré-campanhas que têm estrutura das que têm apenas cenário.

Maju Cotrim
Trocando em Miúdos

Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!

Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!