Ponte Prefeito Leôncio Miranda, em Pedro Afonso - Foto: Divulgação
Ponte Prefeito Leôncio Miranda, em Pedro Afonso - Foto: Divulgação

Cinco meses depois das primeiras restrições de tráfego na ponte entre Pedro Afonso e Tupirama, na região central do Tocantins, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) deu o primeiro passo para substituir a estrutura. O órgão publicou, nesta sexta-feira, 23, o edital de licitação para a construção de uma nova travessia sobre o Rio Tocantins, na BR-235, com investimento estimado em R$ 430 milhões.

Apesar do anúncio, motoristas e produtores rurais ainda terão de conviver com as dificuldades de deslocamento na região. A abertura das propostas das empresas interessadas está marcada para 22 de janeiro de 2027, e o Dnit ainda não estabeleceu uma data para o início das obras.

Enquanto isso, a ponte permanece liberada apenas para veículos leves, como carros de passeio e motocicletas. Caminhões, ônibus e outros veículos pesados precisam utilizar balsas para atravessar o rio.

A alternativa, no entanto, tem enfrentado problemas, principalmente por causa do baixo nível das águas durante o período de estiagem. Em outubro, embarcações chegaram a encalhar, deixando motoristas e caminhões presos no rio por mais de 18 horas.

Contrato inclui demolição da estrutura atual

O edital publicado no Diário Oficial da União prevê a contratação de uma empresa responsável por todas as etapas necessárias à substituição da ponte.

Além da execução da obra, o contrato incluirá estudos técnicos, elaboração dos projetos básico e executivo de engenharia, demolição da estrutura existente, reconstrução e monitoramento contínuo da travessia.

A escolha da empresa será feita pelo critério de menor preço.

A nova ponte deverá substituir a Ponte Prefeito Leôncio Miranda, localizada no quilômetro 163 da BR-235. A estrutura atual tem 1.060 metros de extensão e 24 pilares.

Inaugurada em dezembro de 2007, a ponte custou R$ 92,7 milhões, em uma parceria entre o Governo Federal e o Governo do Tocantins. Menos de duas décadas depois, problemas estruturais levaram à decisão de reconstruí-la.

Interdição afetou transporte de cargas e economia regional

As restrições começaram em 21 de maio deste ano, após inspeções identificarem problemas na estrutura. Na ocasião, o tráfego foi proibido para veículos com carga superior a quatro toneladas.

Com o avanço das avaliações técnicas, a situação se agravou e o Dnit determinou o fechamento completo da ponte por medida de segurança.

A passagem de carros e motocicletas foi restabelecida posteriormente, mas o transporte de cargas continuou impedido.

A interdição atingiu diretamente a circulação de mercadorias entre Pedro Afonso, Tupirama e outros municípios da região, considerada uma importante rota para o escoamento da produção agroindustrial do Matopiba.

Os impactos também alcançaram comerciantes, transportadores e moradores que dependem da ligação rodoviária para trabalhar e acessar serviços.

Diante dos prejuízos econômicos e logísticos, a Prefeitura de Pedro Afonso chegou a decretar situação de emergência por 180 dias.

Para manter a travessia dos veículos pesados, o Governo do Tocantins autorizou a operação emergencial de balsas. O serviço passou a funcionar como alternativa temporária, mas as condições do Rio Tocantins têm provocado atrasos e dificuldades para os usuários.

Com a publicação do edital, o processo de substituição da ponte avança para a fase de seleção da empresa responsável pela obra. A normalização definitiva do tráfego, porém, ainda depende da contratação, da execução dos projetos e da construção da nova estrutura.

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins