
A saída do Coletivo Somos da base do prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos, ganhou uma resposta direta do chefe do Executivo nesta sexta-feira, 12. Em meio à repercussão da operação da Polícia Civil que levou à prisão da então secretária municipal de Saúde, Dhieine Caminski, Eduardo afirmou que momentos de crise revelam o comportamento dos aliados políticos e lamentou o rompimento do grupo.
“Eu fui criado em Legislativos. Sei bem o que é oposição e situação. Ter companheiros quando não há turbulência faz parte. Nas turbulências é que você conhece quais são os comportamentos”, declarou.
O posicionamento ocorre dois dias após o Coletivo Somos anunciar a saída da base governista na Câmara de Palmas e também o desligamento do secretário extraordinário de Igualdade Racial e Direitos Humanos, José Eduardo de Azevedo, integrante do mandato coletivo.
Sem citar diretamente os integrantes do grupo, Eduardo sugeriu que a decisão foi influenciada pela pressão política e pela repercussão da investigação envolvendo a Secretaria Municipal de Saúde.
O prefeito voltou a defender a ex-secretária Dhieine Caminski e afirmou que não pretende fazer um julgamento antecipado enquanto a defesa não tiver acesso integral aos autos do processo.
“Até agora não me apresentaram uma única prova. Não vou jogar a biografia de uma pessoa no lixo, de uma mulher que se dedicou ao serviço público e que ainda não teve oportunidade de apresentar sua defesa”, afirmou.
Durante a entrevista, Eduardo também disse que não encontrou motivos administrativos para afastar a então secretária antes da decisão judicial que resultou na prisão dela. Segundo o prefeito, todos os questionamentos sobre a contratação da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba já são objeto de análise em processos judiciais e administrativos.
“Tudo o que está sendo questionado está sendo analisado. Até este momento eu não encontrei razão para demitir a secretária. Ela tem direito de apresentar sua versão dos fatos”, disse.
Defesa do modelo das UPAs
Ao comentar a investigação, Eduardo voltou a defender o contrato firmado entre a Prefeitura de Palmas e a Santa Casa de Itatiba para administrar as UPAs Norte e Sul da capital.
Segundo ele, a discussão em torno da operação tem desviado o foco do que considera uma melhora nos serviços prestados à população.
O prefeito afirmou que a gestão encontrou um cenário de dificuldades nas unidades de saúde e que o novo modelo permitiu ampliar o atendimento médico, a presença de especialistas e a oferta de serviços.
“Vamos para a porta das UPAs perguntar às pessoas quanto tempo elas esperaram para ser atendidas. Hoje as unidades estão funcionando. É para essas famílias que eu trabalho”, declarou.
Eduardo também criticou comparações feitas sobre os valores do contrato e disse que parte das acusações ignora os custos operacionais envolvidos na manutenção das unidades.
Ruptura aprofunda desgaste político
A saída do Coletivo Somos representa a primeira baixa significativa na base de sustentação política de Eduardo Siqueira Campos desde o início da atual gestão.
Ao anunciar o rompimento, o grupo afirmou que divergências políticas e administrativas vinham sendo debatidas internamente há meses e que os acontecimentos recentes tornaram inviável a continuidade da aliança.
A decisão também resultou na saída de José Eduardo de Azevedo da Secretaria Extraordinária de Igualdade Racial e Direitos Humanos. Ele confirmou que já protocolou o pedido de exoneração e afirmou que retornará à atuação política ao lado do mandato coletivo na Câmara.
Apesar da ruptura, Eduardo evitou ataques diretos ao grupo e afirmou respeitar a decisão dos ex-aliados.
“Eu respeito a posição deles. Só digo que é nos momentos difíceis que você conhece verdadeiramente as pessoas”, concluiu.
Entenda
A crise política ocorre após a operação da Polícia Civil que investiga suspeitas de fraude no contrato de R$ 139 milhões firmado entre a Prefeitura de Palmas e a Santa Casa de Misericórdia de Itatiba para a gestão das UPAs da capital.
A ação resultou na prisão da então secretária de Saúde, Dhieine Caminski, e do servidor Andreis Vicente da Costa. A empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva, apontada pela investigação como intermediadora do esquema, segue foragida.
A Polícia Civil sustenta que, após uma primeira fase da investigação, surgiram indícios de tentativa de ocultação de provas e alinhamento de versões entre os investigados. As defesas negam irregularidades.