Governo autoriza IBGE a contratar 9,5 mil profissionais para pesquisas estatísticas — Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Governo autoriza IBGE a contratar 9,5 mil profissionais para pesquisas estatísticas — Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Tocantins caminha na contramão do restante do país quando o assunto é perfil da população. Enquanto o Brasil mantém uma maioria feminina consolidada ao longo dos anos, o estado registra mais homens do que mulheres, um recorte que chama atenção nos dados mais recentes da PNAD Contínua 2025, divulgada pelo IBGE.

Por aqui, a diferença é pequena, mas suficiente para inverter a lógica nacional: são 105,5 homens para cada 100 mulheres. Na prática, isso significa que, dos pouco mais de 1,5 milhão de moradores, os homens são ligeiramente maioria, 757 mil contra cerca de 754 mil mulheres.

No cenário brasileiro, o desenho é outro. A população feminina segue predominante, com cerca de 95 homens para cada 100 mulheres. Esse desequilíbrio é histórico e tem explicações conhecidas: os homens morrem mais cedo, sobretudo por causas externas, como acidentes e violência, além de, em geral, buscarem menos atendimento de saúde ao longo da vida.

O que faz o Tocantins destoar desse padrão está menos ligado à biologia e mais à economia. O estado aparece ao lado de unidades como Mato Grosso e Santa Catarina, onde atividades como agronegócio, construção civil e expansão territorial têm peso significativo. Esses setores costumam atrair mais trabalhadores homens, o que acaba refletindo diretamente na composição da população.

Ainda assim, essa predominância masculina não é uniforme em todas as idades. A tendência global se repete: nascem mais homens do que mulheres, mas essa diferença costuma diminuir com o passar dos anos. No Brasil, a virada geralmente acontece por volta dos 25 anos, quando as mulheres passam a ser maioria — algo que se intensifica nas faixas etárias mais altas, já que elas vivem mais.

Mesmo com esse comportamento ao longo da vida, o Tocantins segue como um ponto fora da curva no mapa demográfico do país. Um retrato de como fatores econômicos, migração e mercado de trabalho podem pesar tanto quanto ou até mais do que as tendências naturais da população.

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins