UnirG reage à ação do MP e nega irregularidades em mais de mil revalidações de diplomas de Medicina

A disputa judicial envolvendo a revalidação de diplomas médicos estrangeiros pela Fundação Universidade de Gurupi (UnirG) ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira, 29. Após o Ministério Público do Tocantins pedir à Justiça a suspensão imediata dos processos e a anulação de mais de mil diplomas revalidados pela instituição desde março de 2025, a universidade divulgou uma nota pública rebatendo as acusações e defendendo a legalidade dos procedimentos adotados.

A manifestação foi assinada pelo presidente da Fundação UnirG, Thiago Piñeiro Miranda. No documento, a instituição afirma que atuou dentro da legislação e sustenta que possui autonomia universitária para conduzir os processos de revalidação.

Segundo a universidade, todos os procedimentos foram cadastrados na Plataforma Carolina Bori, sistema oficial do Ministério da Educação (MEC) utilizado para acompanhar a revalidação de diplomas estrangeiros no país.

“A alimentação regular desse sistema demonstra que o MEC possuía pleno conhecimento de toda a tramitação e dos atos praticados, sem que tenha havido qualquer determinação formal de interrupção, bloqueio ou invalidação administrativa dos procedimentos adotados pela instituição”, afirma a nota.

A ação foi ajuizada pela 3ª Promotoria de Justiça de Gurupi. O Ministério Público aponta uma série de supostas irregularidades, entre elas a continuidade das revalidações após mudanças nas normas nacionais, possível extrapolação da capacidade autorizada para o curso de Medicina, além de suspeitas de terceirização indevida de etapas do processo.

Um dos principais pontos do embate envolve as mudanças nas regras do Conselho Nacional de Educação. O MP sustenta que a Resolução CNE/CES nº 2/2024 passou a exigir que os processos fossem realizados exclusivamente por meio do Revalida, exame nacional aplicado pelo governo federal.

A UnirG, porém, argumenta que os diplomas questionados foram protocolados antes da entrada em vigor da nova regra, ainda sob a vigência da Resolução CNE/CES nº 1/2022, que permitia o modelo adotado pela instituição.

Para a universidade, invalidar os processos agora representaria insegurança jurídica.

“A tentativa de anulação retroativa e em massa pleiteada na ação judicial gera grave insegurança jurídica”, diz outro trecho da nota.

Outro ponto questionado pelo Ministério Público envolve a situação do curso de Medicina da instituição junto aos indicadores do MEC. A promotoria afirma que o curso não atenderia aos requisitos mínimos exigidos para realizar as revalidações, citando notas baixas no Conceito Preliminar de Curso (CPC).

A universidade rebate e afirma que, por integrar o Sistema Estadual de Ensino do Tocantins, não estaria submetida automaticamente aos critérios federais utilizados pelo MEC. A instituição também destaca que recebeu conceito 4 do Conselho Estadual de Educação do Tocantins, em escala que vai até 5.

Na ação, o MP afirma que mais de 1.040 diplomas teriam sido revalidados apenas em 2025, número considerado incompatível com a estrutura autorizada da universidade, que possui 240 vagas anuais no curso de Medicina.

O órgão também pede a suspensão imediata de todos os processos de revalidação conduzidos pela instituição desde março deste ano.

Apesar das acusações, a UnirG afirma que seguirá colaborando com os órgãos de controle e defende que os profissionais beneficiados pelos processos agiram de boa-fé.

O caso ainda será analisado pela Justiça, que deverá decidir se aceita ou não os pedidos liminares apresentados pelo Ministério Público.

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins