Vicentinho Júnior faz desafio e rebate acusações: ‘Não vou aceitar esse debate raso’

O candidato ao governo do Tocantins Vicentinho Júnior (PSDB) elevou o tom nesta terça-feira, 13, ao questionar a participação da senadora adversária Professora Dorinha na indicação de cargos do governo federal e desafiá-la a apresentar documentos que comprovem eventuais pedidos feitos por ele. Durante um encontro político que reuniu novas lideranças em seu palanque, o deputado federal também rebateu acusações relacionadas ao funcionalismo público e afirmou que não aceitará ataques pessoais na reta final da campanha.

“Eu a desafio a mostrar cadê os meus ofícios pedindo emprego, cargo do governo federal”, declarou Vicentinho, ao contestar a tentativa de associá-lo às indicações políticas feitas pela bancada do Tocantins em Brasília.

Segundo o candidato, embora Dorinha exerça a coordenação da bancada federal com seu voto, isso não significa que ele tenha participado de todas as decisões tomadas pelo grupo.

Vicentinho afirmou que esteve presente nas discussões orçamentárias, mas adotou outra postura quando o assunto envolvia a distribuição de cargos no governo federal.

“Quando se tratava dos debates orçamentários, eu sempre me fiz presente ativamente. Sou um homem dedicado ao orçamento. Mas, quando tratava de cargo de um governo de que eu não fiz parte, eu me levantava e dizia: eu não posso mais participar”, relatou.

O candidato também acusou adversários de adotarem discursos diferentes das práticas políticas que, segundo ele, ocorrem nos bastidores.

As afirmações foram feitas por Vicentinho durante o discurso.

‘Não vou aceitar esse tipo de debate’

Outro momento do pronunciamento foi dedicado a rebater o que Vicentinho classificou como ataques pessoais durante a campanha.

O candidato criticou a tentativa de transformar a eleição em uma disputa entre homens e mulheres e questionou declarações que, segundo ele, teriam sido utilizadas para atingir sua imagem.

“Eu sou pai de duas mulheres. Os maiores amores da minha vida são as mulheres”, afirmou, ao citar familiares e destacar a importância das mulheres em sua trajetória.

Na sequência, pediu respeito ao palanque adversário.

“Não vou aceitar esse tipo de debate raso, de debate vil. Até aqui respeitei a família de todos. Respeitei a história de todos e dela. Eu só vou pedir a ela o mesmo respeito”, declarou.

Vicentinho disse que pretende concentrar a discussão nas propostas para o Tocantins e rejeitou a ideia de que o segundo turno deva ser tratado como uma disputa de gênero.

“Aqui não é uma disputa de homem contra mulher, nunca foi. Aqui é uma disputa no campo das ideias, para saber quem tem as melhores ideias para melhorar o estado do Tocantins”, afirmou.

Candidato nega intenção de retirar direitos dos servidores

Vicentinho também reagiu à circulação de informações de que, caso seja eleito, poderia acabar com a jornada de seis horas ou retirar direitos de categorias do funcionalismo estadual.

Ele negou essas intenções e disse que servidores públicos não devem ser tratados como obstáculos à administração.

“Servidores, sejam eles na esfera municipal, estadual ou federal, nunca foram problemas. São parte de uma solução”, declarou.

O candidato citou professores, profissionais do quadro geral e integrantes das forças de segurança entre as categorias que, segundo ele, precisam de valorização.

No discurso, também defendeu a melhoria das condições de trabalho e afirmou que pretende manter o diálogo com os servidores.

Vicentinho critica suposta perseguição política a municípios

Ao falar sobre a relação entre o governo estadual e as prefeituras, Vicentinho afirmou que pretende administrar sem discriminar municípios por divergências partidárias.

Ele citou Figueirópolis como exemplo de cidade que, segundo seu relato, teria enfrentado dificuldades para receber melhorias em razão do posicionamento político de sua administração.

O candidato também mencionou Araguaína e disse que adversários tentaram espalhar a ideia de que ele perseguiria o prefeito Wagner Rodrigues caso fosse eleito.

“Diziam que, se o Vicentinho fosse eleito, eu ia perseguir o prefeito Wagner, que eu ia maltratar a cidade de Araguaína”, relatou.

Vicentinho contestou essa possibilidade e afirmou que, mesmo durante divergências políticas, destinou recursos para áreas como saúde, infraestrutura e assistência social no município.

Ao agradecer o apoio do ex-prefeito Ronaldo Dimas, presente no encontro, elogiou a trajetória do aliado e sua contribuição para o desenvolvimento de Araguaína.

‘Não quero meu Ministério Público como um departamento do Palácio Araguaia’

O candidato também apresentou sua visão sobre a relação que pretende manter com os órgãos de fiscalização e com a Assembleia Legislativa, caso vença a eleição.

Vicentinho afirmou que deseja um Ministério Público independente, capaz de fiscalizar o Executivo e apontar eventuais irregularidades.

“Não quero meu Ministério Público como um departamento do Palácio Araguaia. Quero a altivez necessária de me fiscalizar”, declarou.

Em relação à Assembleia, disse que pretende buscar uma atuação conjunta com os deputados, sem transformar o Legislativo em instrumento exclusivo do governo.

Segundo ele, a parceria deverá ser direcionada à execução de políticas públicas e investimentos em escolas, hospitais, infraestrutura e habitação.

O candidato também criticou adversários que, conforme afirmou, estariam divulgando informações falsas sobre sua campanha. Apesar disso, declarou que não pretende responder com ataques pessoais.

“Deus não deu ao homem uma borracha para apagar a história de outro homem”, afirmou.

Habitação, saúde e infraestrutura entram no discurso

Além dos embates políticos, Vicentinho apresentou prioridades que pretende defender caso seja eleito.

Entre elas estão a construção de moradias populares, investimentos em hospitais, melhorias nas rodovias e valorização do funcionalismo.

O candidato criticou a falta de investimentos habitacionais realizados diretamente pelo governo estadual e afirmou que pretende ampliar a oferta de casas populares.

Também defendeu maior atenção aos municípios que enfrentam dificuldades de abastecimento de água.

Ao mencionar Barra do Ouro, citada anteriormente por Ronaldo Dimas, Vicentinho afirmou que obras de abastecimento deveriam receber prioridade diante das necessidades da população.

“O Estado tem que servir às pessoas, e não fazer com que se sirvam dele”, declarou.

O candidato também falou sobre a participação de instituições religiosas em ações sociais, defendendo parcerias para o acolhimento de dependentes químicos e mulheres vítimas de violência.

‘Aqui não é uma disputa da direita contra a esquerda’

Embora tenha reafirmado suas posições políticas e o apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial, Vicentinho afirmou que não pretende limitar sua campanha aos eleitores de um único campo ideológico.

“Aqui não é uma disputa da direita contra a esquerda. Não me botem nisso”, disse.

O candidato afirmou que continuará defendendo pautas como liberdade econômica, geração de empregos, agronegócio e valorização das forças de segurança, mas que isso não o impede de dialogar com eleitores que pensam de maneira diferente.

“Não me exijam desrespeitar o eleitor do campo que não é o meu ideológico na política”, declarou.

Segundo Vicentinho, a pacificação política é necessária para que o próximo governo consiga atender às demandas dos municípios.

Candidato comemora adesões e minimiza diferença do primeiro turno

Ao final do discurso, Vicentinho destacou o crescimento de sua base de apoio após a primeira votação.

Ele afirmou que mais de 30 lideranças, entre vereadores, prefeitos, vice-prefeitos, parlamentares e candidatos, passaram a integrar seu projeto político no segundo turno.

O candidato também mencionou a diferença de aproximadamente 13 mil votos para Dorinha no primeiro turno e disse que não considera a disputa definida.

“Eu só quero ter a oportunidade de ser governador com um voto de diferença”, afirmou.

Vicentinho agradeceu aos aliados que permaneceram desde o início da campanha e aos que chegaram depois, defendendo que a mudança de posicionamento faz parte do processo democrático.

“A democracia nos permite dizer em quem quer votar, convencer ao voto, acompanhar um projeto e, não entendendo ser o certo, mudar a sua condição de fazê-lo. É o charme dela”, declarou.

O candidato encerrou a fala pedindo mobilização até o dia da eleição e afirmou que continuará percorrendo o Tocantins em busca de votos.

“Não tem campanha ganha. O medo de perder nos leva à vitória”, disse.

O segundo turno para o governo do Tocantins será realizado no dia 25 de outubro, quando os eleitores escolherão entre Vicentinho Júnior e Professora Dorinha Seabra.