Balsa ficou encalhada por mais de 18 horas — Foto: Divulgação/Marcos Antônio
Balsa ficou encalhada por mais de 18 horas — Foto: Divulgação/Marcos Antônio

O que deveria ser uma travessia de poucos minutos pelo Rio Tocantins terminou em uma noite inteira de espera para caminhoneiros que transportavam cargas entre Pedro Afonso e Tupirama, na região central do estado. A balsa em que estavam ficou presa em um banco de areia na tarde de domingo, 18, e só conseguiu retomar a navegação na manhã de segunda-feira, 19.

Dois caminhões eram transportados quando a embarcação encalhou, por volta das 15h20, cerca de 20 minutos após o início da operação. Sem conseguir chegar à outra margem, os motoristas permaneceram no meio do rio até aproximadamente 9h do dia seguinte.

Um deles, Marcos Antônio, decidiu passar a noite dentro do próprio caminhão, mesmo depois de receber a oferta de hospedagem.

“Deram janta e café, levaram marmita para a gente lá. Jantamos e ficamos por lá mesmo. Ofereceram hotel também, mas preferi ficar no veículo porque a carga é responsabilidade da gente, motorista. Não dá para sair e deixar o caminhão para trás”, relatou.

A situação foi registrada por um drone, e as imagens da balsa imobilizada no meio do rio circularam pelas redes sociais, ultrapassando 100 mil visualizações.

O problema não ficou restrito à primeira embarcação. Ainda na segunda-feira, uma segunda balsa, que transportava carros e caminhões, também encalhou. Nesse caso, a travessia ficou comprometida por aproximadamente três horas, até que a embarcação fosse liberada.

Estiagem dificulta travessia

A empresa Pippes, responsável pela operação das balsas, atribuiu os episódios à redução do nível do Rio Tocantins durante o período de estiagem.

Segundo o representante da empresa, Túlio Moura, quando a vazão fica insuficiente para a navegação, a operadora entra em contato com a Usina Hidrelétrica Luís Eduardo Magalhães, conhecida como UHE Lajeado, para tentar viabilizar a elevação do nível da água.

“Sempre que acontece isso, a gente entra em contato com eles. Eles pedem autorização para a operadora nacional do sistema para liberar mais água, para que o nível do rio suba, e aí a gente consegue navegar normalmente”, explicou.

A Investco, responsável pela usina, informou que sua operação segue as determinações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), levando em consideração as condições hidrológicas e as necessidades do sistema elétrico nacional.

A empresa acrescentou que mantém contato técnico com os responsáveis pela travessia, especialmente durante a estiagem, para compartilhar informações sobre vazões e condições de operação do rio.

Caminhões dependem das balsas após restrições na ponte

Os episódios de encalhe agravam as dificuldades de transporte na região, que passou a depender das balsas para a passagem de veículos pesados após a interdição parcial da ponte da BR-235.

A estrutura, localizada no km 164 da rodovia, apresenta problemas graves nas fundações. Laudos técnicos concluídos em julho identificaram danos no concreto e desgastes considerados irreversíveis.

Desde 25 de agosto, a passagem foi parcialmente liberada para veículos leves, mas as restrições continuam para o transporte de cargas pesadas.

Com isso, caminhoneiros que precisam atravessar o Rio Tocantins seguem utilizando as balsas, ficando sujeitos às condições de navegação durante a estiagem.

Nova ponte deve ter edital publicado nesta semana

Enquanto a travessia enfrenta dificuldades, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou que concluiu os estudos e projetos necessários para a construção de uma nova ponte entre Pedro Afonso e Tupirama.

A previsão é que o edital de licitação seja publicado na sexta-feira, 23.

De acordo com o órgão, a construção terá prazo estimado de 28 meses, contados a partir da emissão da ordem de serviço, que dependerá da conclusão da licitação e da assinatura do contrato.

O DNIT também informou que iniciará uma avaliação dos dados obtidos pelo monitoramento da ponte atual para verificar se existe possibilidade de ampliar o limite de peso autorizado para a passagem de veículos.

Por enquanto, as restrições permanecem em vigor.

O órgão acrescentou que continuará monitorando a estrutura até a conclusão da nova ponte, enquanto caminhoneiros e transportadores seguem dependendo das condições do rio para realizar a travessia entre os dois municípios.

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins