Prefeitura tocantinense é investigada por contratação sem licitação para recuperar recursos do Fundef

O destino de recursos destinados à educação e a contratação de um escritório de advocacia sem licitação colocaram a Prefeitura de Santa Tereza do Tocantins, na região central do estado, sob investigação do Ministério Público Federal (MPF).

A apuração envolve uma ação judicial movida contra a União para recuperar diferenças de repasses do antigo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef). O MPF quer esclarecer como o escritório responsável pela cobrança foi contratado e se os valores recebidos pelo município estão sendo aplicados conforme as regras da educação.

A investigação foi formalizada por meio de um inquérito civil instaurado na quarta-feira, 14, pelo procurador da República Bernardo Meyer Cabral Machado, que atuava em substituição no 3º Ofício da Procuradoria da República no Tocantins.

A portaria não informa quanto a prefeitura pagou ou se comprometeu a pagar pelos serviços advocatícios. Também não identifica o escritório contratado nem apresenta o montante de recursos do Fundef envolvido no caso.

Cobrança envolve diferenças antigas de repasses

O Fundef foi criado para financiar o ensino fundamental e a valorização dos profissionais do magistério. O fundo utilizava, entre outros critérios, um valor mínimo anual por aluno para calcular os repasses destinados às redes de ensino.

A investigação em Santa Tereza envolve diferenças decorrentes da subestimação desse valor mínimo, situação que levou municípios brasileiros a recorrer à Justiça para cobrar quantias que consideravam devidas pela União.

No caso tocantinense, o município contratou diretamente um escritório de advocacia para ajuizar a ação de cobrança.

O MPF pretende verificar se a contratação sem licitação atendeu às exigências legais e se houve justificativa adequada para a escolha do prestador de serviços.

A abertura da investigação, por si só, não significa que a contratação tenha sido irregular.

Aplicação do dinheiro também será examinada

Além da contratação dos advogados, o Ministério Público Federal quer verificar a destinação dos recursos recebidos pelo município em razão da cobrança judicial.

O objetivo é apurar se os valores estão sendo utilizados exclusivamente em ações de manutenção e desenvolvimento da educação, conforme as regras aplicáveis a esse tipo de verba.

Essa análise constitui uma frente distinta da investigação sobre a contratação do escritório. Mesmo que a prestação dos serviços advocatícios tenha ocorrido, o MPF ainda precisa esclarecer se a utilização dos recursos educacionais observou as exigências legais.

A portaria não aponta, nesta fase, pagamentos específicos considerados indevidos nem identifica despesas realizadas fora da área educacional.

Caso começou no Ministério Público Estadual

Antes de chegar ao MPF, o procedimento tramitava no Ministério Público do Tocantins (MPTO).

O órgão estadual encaminhou o caso à esfera federal ao entender que os fatos deveriam ser examinados pelo Ministério Público Federal, considerando a natureza dos interesses envolvidos.

Com a instauração do inquérito civil, foram determinadas diligências para reunir informações e documentos sobre a contratação e a utilização dos recursos.

A portaria também prevê a comunicação à 1ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF. Após o cumprimento das providências iniciais, o procedimento retornará ao gabinete responsável para avaliação dos próximos passos.

Por enquanto, não há conclusão sobre irregularidades na contratação ou na aplicação do dinheiro. O inquérito busca reunir elementos para definir se há fundamento para novas medidas por parte do Ministério Público Federal.

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins