Cristalândia recebe Banco Vermelho, símbolo de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher

De espaço de encontro e convivência, a praça da Avenida Dom Jaime Antônio Schuck, em Cristalândia, passou a ser também um símbolo de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. Nesta terça-feira (27/10), o Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO), por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid), instalou no local o 31º Banco Vermelho no Tocantins, um convite à reflexão sobre o feminicídio e a importância de proteger a vida das mulheres.

A solenidade reuniu representantes do Judiciário, do Ministério Público, da Defensoria Pública, da Polícia Militar, dos poderes Executivo e Legislativo municipal, além de estudantes, educadores e integrantes da comunidade. O mascote do TJTO, Justino, também participou do evento, aproximando a mensagem de conscientização de diferentes públicos. Houve ainda a entrega de pequenos bancos vermelhos às autoridades presentes.

Compromisso

A programação foi marcada pela assinatura de um termo de cooperação entre o TJTO e a Prefeitura de Cristalândia para fortalecer as ações de prevenção, ampliar a conscientização e promover o acolhimento às mulheres em situação de violência.

A coordenadora da Cevid, juíza Cirlene Maria de Assis, destacou que a instalação do monumento é o ponto de partida para um trabalho contínuo de conscientização, com atividades pedagógicas voltadas especialmente às escolas e à comunidade.

“Mais importante do que esse símbolo que vai ficar aqui para vocês, mulheres, é o nosso projeto pedagógico que vamos desenvolver, acompanhar e monitorar o desenvolvimento dessa ação junto às escolas”, afirmou.

A magistrada também ressaltou que a iniciativa será ampliada para todo o Estado. A previsão é que, até o fim deste ano, o Banco Vermelho esteja instalado nas 36 comarcas do Tocantins, além da sede do Tribunal de Justiça, em locais de grande circulação de pessoas.

O prefeito de Cristalândia, Wilson Júnior Carvalho de Oliveira, destacou que a prevenção precisa começar nas famílias e nas escolas, com a participação efetiva das instituições públicas e de toda a sociedade.

“Esse banco, para mim, é um alerta, mas o alerta tem que começar atendendo as famílias. É na escola também que tem que ter a consciência de que a mulher tem que ser respeitada”, afirmou.

O gestor também anunciou a intenção de instalar réplicas do Banco Vermelho em órgãos públicos e escolas do município, ampliando o alcance da mensagem.

Prevenção

O juiz diretor do Foro de Cristalândia, Wellington Magalhães, ressaltou que a atuação do Poder Judiciário não deve se limitar ao julgamento de processos, mas também contribuir para evitar que os crimes aconteçam.

“O Poder Judiciário há muito tempo percebeu que é preciso trabalhar preventivamente. Não apenas julgar um processo, mas fazer o que estiver ao seu alcance para que aquele processo não aconteça”, declarou.

Ao dirigir uma mensagem especialmente aos homens e às novas gerações, o magistrado fez um apelo à reflexão antes de qualquer atitude agressiva.

“Antes de qualquer impulso agressivo, conte até dez e lembre da sua mãe”, afirmou.

A mensagem reforça a importância de rever comportamentos, combater padrões culturais que naturalizam a violência e promover o respeito às mulheres.

O promotor de Justiça Jonathan Ricardo Couto Oliveira também destacou a importância da prevenção e da conscientização.

“Quando um caso de violência doméstica chega até o Tribunal do Júri, só há perdedores. Não importa se o criminoso vai ficar preso quarenta anos. Ninguém sai de lá com vitória. É derrota”, afirmou.

Já a defensora pública Isabella Faustino Alves destacou o significado do monumento como uma afirmação pública dos direitos das mulheres e da igualdade.

“Esse memorial é um monumento à vida. É um monumento à igualdade. É uma afirmação da igualdade aqui no município de Cristalândia”, declarou.
Representando a Polícia Militar, o 1º tenente QOA Warley Alves Oliveira, subcomandante da 4ª Companhia Independente de Polícia Militar (4ª CIPM), em Lagoa da Confusão, reafirmou o compromisso da corporação com o atendimento às ocorrências e o acompanhamento das vítimas.

“Violência doméstica é prioridade. Não só recebemos a denúncia e vamos combater o criminoso, mas também fazemos visitas à pessoa que foi vítima para perceber as dificuldades que ela enfrenta”, afirmou.

Participação

Além das autoridades, a cerimônia contou com a participação de alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e do Colégio Estadual de Cristalândia. Os estudantes do Colégio Militar realizaram uma apresentação sob o comando da diretora, subtenente da Polícia Militar Marlynéia Dorta.