Registro flagra uma decolagem em fevereiro de 2026 no aeródromo City Fly, interditado desde 2025 — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal
Registro flagra uma decolagem em fevereiro de 2026 no aeródromo City Fly, interditado desde 2025 — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Documentos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) revelam que o aeródromo Condomínio Sítio Flyer, em Palmas, de onde partiu o avião que caiu no último sábado (18), está interditado e sem autorização para operações aéreas. A restrição foi motivada por irregularidades cadastrais e riscos à segurança operacional.

A aeronave de pequeno porte, modelo EMB-721C, caiu em uma área de vegetação fechada poucos instantes após a decolagem. No acidente morreram o médico Éderson da Silva, de 68 anos, e a esposa dele, Roseli Amarilda Pechulo Silva, de 62 anos. O piloto Hamilton Lopes da Conceição foi resgatado com vida e permanece internado.

Segundo o ofício nº 628/2025 da Anac, o aeródromo está inativo para operações em razão de irregularidades que se arrastam desde 2020. O processo de alteração de responsabilidade e atualização cadastral nunca foi concluído por falta de documentos, entre eles a comprovação da transferência de propriedade e a procuração eletrônica do responsável legal.

Avião de pequeno porte caiu em Palmas, deixando dois mortos — Foto: Bombeiros/Divulgação

A Anac informou ainda que o Sítio Flyer não integra a lista de aeródromos autorizados a operar em Palmas. Atualmente, apenas duas pistas privadas da capital possuem autorização para funcionamento.

De acordo com os documentos da agência, a interdição foi motivada por um conjunto de irregularidades, como a ausência de comprovação da propriedade da área, a falta de representação legal do responsável pelo aeródromo e a paralisação do processo de regularização por cerca de cinco anos. A agência também apontou que não é possível identificar o responsável técnico e operacional pela pista, o que levou à aplicação de uma medida administrativa preventiva de interdição total, em regime de 24 horas, por risco presumido à segurança da aviação.

Área é alvo de disputa judicial

Após o acidente, o atual proprietário da área registrou um boletim de ocorrência informando que não autoriza a realização de voos no local.

Segundo um representante do proprietário, que preferiu não se identificar, o imóvel é alvo de uma disputa judicial pela posse e continua sendo utilizado para operações aéreas, apesar da interdição da Anac.

“A pista foi cancelada pela Anac e o registro está suspenso, mas um grupo que permanece no local continua realizando operações e impede o acesso do proprietário legal. Há registros de diversos voos após o cancelamento da pista”, afirmou.

Relembre o caso

O casal que morreu no acidente era proprietário do Hospital São Lucas, em Redenção (PA), destino da aeronave. Roseli Amarilda Pechulo Silva morreu no local da queda. Éderson da Silva chegou a ser socorrido, mas sofreu uma parada cardiorrespiratória durante o atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e não resistiu.

Casal morreu em acidente aéreo em Palmas — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

O piloto Hamilton Lopes da Conceição sobreviveu e foi encaminhado ao Hospital Geral de Palmas (HGP). Segundo a Polícia Militar, o estado de saúde dele é considerado instável.

O avião estava com o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) válido até 2027.

Após a queda, moradores registraram imagens dos destroços espalhados em uma área de mata. O local foi isolado pela Polícia Militar para os trabalhos da perícia e das equipes responsáveis pela investigação das causas do acidente.