
Por deputada estadual Claudia Lelis
No Tocantins, três mulheres foram eleitas para a Assembleia Legislativa, em um total de 24 cadeiras. É o mesmo número da eleição anterior. Na Câmara Federal, entre os oito representantes eleitos pelo estado, teremos apenas uma mulher.
Essa realidade precisa nos fazer refletir.
Cada uma dessas parlamentares chega ao Legislativo com sua trajetória, sua experiência e o compromisso de representar a população tocantinense. Cada mandato feminino fortalece a democracia, amplia o debate público e mostra que as mulheres podem e devem ocupar os espaços de decisão.
Mas também precisamos reconhecer que três mulheres em uma Assembleia de 24 parlamentares ainda é muito pouco. Ter apenas uma mulher em uma bancada federal de oito representantes também está longe do ideal. E não podemos tratar essa desigualdade como algo normal.
É na política que muitas das decisões que interferem diretamente na vida das pessoas são tomadas. É onde discutimos saúde, educação, segurança, geração de emprego e renda, proteção social, cuidado, família, violência e igualdade de oportunidades, entre tantos temas que fazem parte da vida real.
Quando as mulheres estão ausentes desses espaços, uma parcela importante da sociedade também fica sub-representada.
A presença feminina na política não é uma questão de favor ou concessão. É uma questão de democracia.
Precisamos de mais mulheres nas Câmaras Municipais, nas Assembleias Legislativas, na Câmara Federal, no Senado, nas prefeituras e nos governos. Precisamos de mulheres participando das decisões, formulando leis, fiscalizando, liderando e construindo políticas públicas.
E essa transformação também começa pelo voto.
Precisamos que mais mulheres votem em mulheres e reconheçam em outras mulheres a capacidade de representar seus interesses, suas famílias, suas comunidades e seus sonhos.
Enquanto não tivermos uma participação mais equilibrada entre homens e mulheres nos espaços de poder, a pauta feminina continuará precisando disputar espaço para ser ouvida.
A experiência de uma mulher na política contribui para trazer ao debate público questões vividas dentro de casa, no trabalho, na maternidade, na saúde, na segurança e na luta diária por oportunidades.
Isso não significa que todas as mulheres pensem da mesma forma. Somos diversas, temos opiniões, ideologias e escolhas políticas diferentes. Essa pluralidade também faz parte da democracia.
Mas precisamos estar presentes onde as leis são feitas, os recursos são definidos e as prioridades do Estado são escolhidas. Precisamos estar também nos espaços de comando.
O Tocantins vive, neste momento, uma oportunidade histórica. Pela primeira vez, uma mulher está no segundo turno da eleição para o Governo do Estado. No dia 25 de outubro, os tocantinenses terão a possibilidade de eleger, pela primeira vez, uma governadora.
Independentemente do resultado, esse momento mostra que a presença das mulheres precisa estar no centro das grandes decisões e dos mais altos espaços de liderança.
Não se trata apenas de ocupar cadeiras, mas de reconhecer que as mulheres também podem liderar, governar e definir os caminhos de um Estado.
A eleição de 2026 nos traz uma conquista importante: três mulheres continuarão representando as tocantinenses na Assembleia Legislativa, e uma mulher ocupará uma das cadeiras do Tocantins na Câmara Federal.
Mas o resultado também revela que ainda temos um longo caminho pela frente.
Sigo acreditando que a política pode e deve ser transformada pela participação das mulheres. Tenho orgulho de continuar ocupando este espaço e sei da responsabilidade que isso representa.
Mas quero mais.
Quero ver mais mulheres chegando, sendo eleitas e liderando.
Porque, quando uma mulher ocupa um espaço de poder, não ocupa apenas uma cadeira. Ela ajuda a abrir caminho para muitas outras.
E o Tocantins precisa abrir muito mais portas para as mulheres.