
O assassinato da enfermeira Morgana Monteiro (45 anos), pelo ex-marido, nos obriga a fazer uma pergunta dolorosa: por que tantas mulheres não podem simplesmente dizer que não querem mais permanecer em um casamento ou em um namoro? Por que um “não quero mais” ainda custa a vida de tantas de nós?
O que leva alguns homens a enxergarem a mulher como uma propriedade? Como uma extensão de si mesmos? Como um território sobre o qual acreditam ter domínio?
Quando um homem decide pôr fim a um relacionamento, ele exerce sua liberdade. Quando deseja iniciar uma nova relação, faz isso sem que sua decisão seja, em regra, colocada em xeque. Mas por que a mulher não pode exercer o mesmo direito? Por que sua autonomia ainda desperta ódio, violência e, tantas vezes, a morte?
O Estado precisa atuar com ainda mais firmeza na educação da sociedade, especialmente dos homens, para que compreendam que mulher não é propriedade de ninguém. Casamento ou namoro não conferem posse sobre o outro. Toda mulher tem o direito de ir e vir, de recomeçar, de escolher com quem quer viver, ou mesmo, escolher viver sozinha. A igualdade de gênero não pode existir apenas na lei; ela precisa ser respeitada na prática.
É lamentável que tantas mulheres que decidem sair de um relacionamento acabem transformadas em estatísticas de feminicídio. Cada número representa uma vida interrompida, uma família destruída e um direito fundamental violado.
Não podemos normalizar a violência que se alastra em nossa sociedade. Basta de violência contra as mulheres.
Queremos viver. Queremos ter o direito de escolher como viver e com quem viver. Queremos que nossas decisões sejam respeitadas.
Parem de nos matar.
Nubia Martins/jornalista
Conselheira Municipal da Mulher de Palmas (Comdim).
Conselheira Estadual da Mulher do Tocantins(Cedim).