Maria Luiza, de 22 anos, é suspeita de integrar uma quadrilha interestadual de agiotagem e extorsão — Foto: Reprodução
Maria Luiza, de 22 anos, é suspeita de integrar uma quadrilha interestadual de agiotagem e extorsão — Foto: Reprodução

Uma jovem de 22 anos foi presa neste domingo, 13, em Lagoa da Confusão, na região oeste do Tocantins, durante uma ação relacionada a uma investigação contra um grupo suspeito de agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro. Ela teria se escondido no município após o avanço de uma operação realizada no Distrito Federal.

A suspeita, identificada como Maria Luiza, é investigada por supostamente integrar uma organização criminosa com atuação no Distrito Federal, em Goiás e no Tocantins. A operação teve início na quinta-feira, 10, e resultou na expedição de dezenas de ordens judiciais.

Conforme informações presentes na decisão que determinou a prisão, imagens de câmeras de segurança teriam registrado a jovem no prédio onde morava uma das vítimas. A investigação também aponta que uma linha telefônica utilizada por ela teria sido empregada para realizar cobranças acompanhadas de ameaças.

Em outro episódio apurado, uma vítima teria sido procurada pela suspeita depois que outros integrantes do grupo foram presos. Segundo o processo, ela teria ido até a residência da pessoa acompanhada de um homem armado e exigido uma cópia do depoimento prestado à polícia.

As investigações também identificaram movimentações financeiras que, segundo a apuração, relacionam a jovem aos demais investigados. Durante as diligências, foram obtidos materiais como mensagens, planilhas e áudios que seriam utilizados nas cobranças.

Empréstimos com juros de até 20% ao mês

De acordo com a investigação, o grupo oferecia empréstimos e cobrava juros que chegavam a 20% ao mês. Devedores que atrasavam ou não conseguiam pagar os valores seriam ameaçados, inclusive de morte.

O caso começou a ser investigado depois que um comerciante da Feira dos Goianos, em Taguatinga, no Distrito Federal, procurou a polícia. Ele relatou que ele e familiares passaram a sofrer ameaças após contrair um empréstimo e enfrentar dificuldades para quitar a dívida devido aos juros cobrados.

A apuração aponta ainda que aproximadamente R$ 10 milhões teriam sido movimentados pelo grupo em apenas oito meses. Para tentar esconder a origem dos recursos, teriam sido utilizadas contas bancárias vinculadas a empresas e familiares dos investigados.

Operação teve 47 ordens judiciais

Ao todo, foram expedidas 47 ordens judiciais, entre 12 mandados de prisão preventiva, 18 de busca e apreensão e 17 determinações de bloqueio de valores.

Durante a operação, também foram apreendidas dez armas de fogo, munições, oito veículos de luxo, além de documentos, cheques e dinheiro em espécie.

Os investigados podem responder por agiotagem, extorsão, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro.

Cheques, documentos e computador apreendidos com suspeitos de agiotagem no DF — Foto: Polícia Civil/Divulgação