A grande lição da corrida ao Senado deste ano: Popularidade não se impõe

Por Maju Cotrim

A disputa pelas duas vagas ao Senado Federal no Tocantins já entrou para a história pela quantidade de interessados. São 14 nomes colocados no tabuleiro político, todos de olho em um dos cargos mais importantes da República. O número impressiona. Mas o que mais chama a atenção não é a quantidade de pré-candidatos. É a ausência de alguns elementos fundamentais que tradicionalmente ajudam a definir uma eleição para o Senado.

Há quem ainda acredite que essa disputa será resolvida apenas nos gabinetes, nos acordos partidários ou na fotografia ao lado de prefeitos e lideranças municipais. Evidentemente, apoios políticos possuem peso e relevância. Sempre tiveram. Mas reduzir uma eleição para o Senado a uma contabilidade de prefeitos é ignorar a natureza do próprio cargo e o sentimento que começa a se formar entre os eleitores.

A eleição de 2026 não será apenas sobre nomes conhecidos ou estruturas eleitorais robustas. Será, sobretudo, sobre trajetória, legado e conexão popular.

O eleitor tocantinense quer saber quem o representou de fato em Brasília. Quer entender quais resultados concretos foram entregues ao Estado. Quer enxergar coerência entre discurso e prática. E, acima de tudo, quer sentir proximidade.

Uma cena recente ilustra bem esse fenômeno. Nas redes sociais, repercutiu o vídeo em que um admirador abraça efusivamente o senador Eduardo Gomes, pré-candidato à reeleição. Independentemente das preferências políticas de cada cidadão, o episódio chama atenção por revelar algo que ainda parece escasso na maioria das pré-campanhas ao Senado: a conexão emocional entre representante e representado.

O abraço não foi apenas um gesto de carinho. Foi uma demonstração espontânea de reconhecimento. E reconhecimento popular não se constrói da noite para o dia. É resultado de presença, relacionamento, comunicação e percepção de entrega.

Talvez esteja aí uma das principais diferenças que começarão a aparecer ao longo da campanha. Enquanto alguns candidatos concentram esforços na montagem de alianças políticas, outros buscarão fortalecer vínculos com a população, transformando trabalho institucional em capital político percebido pelo eleitor.

O Senado exige experiência, preparo e capacidade de articulação nacional. Mas exige também legitimidade popular. Afinal, senadores representam estados inteiros, não apenas grupos políticos ou colégios eleitorais específicos.

Por isso, a corrida ao Senado no Tocantins não será vencida apenas por quem acumular mais apoios de prefeitos A, B ou C. Será vencida por quem conseguir despertar no eleitor a convicção de que sua trajetória merece continuidade ou oportunidade.

No fim das contas, o voto para senador costuma ser um dos mais refletidos. E quando o eleitor entra na cabine de votação, o que pesa não é apenas a lista de apoios que um candidato reuniu. Pesa o sentimento construído ao longo do tempo.

Em uma disputa com 14 postulantes e apenas duas vagas, essa diferença pode ser decisiva.

E muitos ainda parecem não ter percebido isso.