Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE
Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE

As Eleições Gerais de 2026 terão uma urna eletrônica mais acessível e com novas ferramentas para orientar o eleitor durante a votação. A Justiça Eleitoral prepara mudanças na interface da urna eletrônica, com fonte de maior legibilidade, telas reformuladas, barra de progresso e ampliação dos recursos de Libras.

As alterações foram pensadas a partir de dificuldades identificadas em eleições anteriores e buscam tornar o processo de votação mais simples para diferentes perfis de eleitores, especialmente pessoas com deficiência visual, idosos e cidadãos com pouca familiaridade com tecnologias digitais.

Uma das principais mudanças será a adoção da fonte Atkinson Hyperlegible, desenvolvida pelo Braille Institute, organização especializada em acessibilidade para pessoas com deficiência visual. O desenho dos caracteres prioriza maior diferenciação entre letras e números, além de melhor espaçamento e legibilidade.

Durante os testes da nova interface, o assistente administrativo Silvio Trindade, que possui deficiência visual, relatou melhora na leitura das informações. Nas eleições anteriores, ele precisava se aproximar da tela e, em alguns momentos, utilizar uma lupa.

“As letras estão mais definidas, a fonte ficou melhor e a barra de progresso ajuda bastante a acompanhar a votação. Dessa forma, eu acredito que nem preciso usar a lupa”, afirmou.

Barra de progresso orientará o eleitor

Outra novidade será uma barra de progresso fixa na parte superior da tela. O recurso mostrará quais cargos já foram votados e quais ainda serão apresentados ao eleitor.

Segundo Rodrigo Coimbra, chefe da Seção de Voto Informatizado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a ferramenta funcionará como um guia visual durante o procedimento, especialmente nas eleições com maior número de cargos.

“A barra de progresso funciona como um guia visual. Ela permite que o eleitor saiba exatamente em que etapa da votação está e quais cargos ainda faltam ser apresentados”, explicou.

Estudantes contribuíram para mudanças

Parte das soluções incorporadas à nova interface surgiu de propostas apresentadas por estudantes da Universidade de São Paulo (USP) em um concurso voltado ao aperfeiçoamento da acessibilidade e da experiência de uso da urna eletrônica.

As sugestões serviram de base para estudos da Justiça Eleitoral e contribuíram para algumas das mudanças que serão implementadas no pleito de 2026.

A professora Lucia Vilela Leite Filgueiras, da Escola Politécnica da USP, avalia que melhorias na legibilidade e na organização das informações podem beneficiar diferentes grupos de eleitores.

Segundo a pesquisadora, os recursos são especialmente importantes para idosos, pessoas com baixa visão e cidadãos com menor familiaridade com tecnologias digitais.

Libras terá recursos ampliados

Os recursos de acessibilidade em Libras também serão ampliados nas urnas utilizadas em 2026. Além de informar o cargo que está sendo votado, os intérpretes passarão a indicar situações como voto em branco, voto nulo e voto de legenda.

As mudanças fazem parte das atualizações preparadas pela Justiça Eleitoral para tornar a utilização das urnas mais acessível e facilitar o acompanhamento das diferentes etapas da votação.