
Maju Cotrim
Faltando 26 dias para as eleições, um grupo merece atenção especial das campanhas: o dos eleitores que ainda não escolheram seus candidatos.
O indeciso não deve ser tratado como alguém desinformado ou alheio ao processo político. Muitas vezes, ele está observando, comparando propostas e esperando uma razão concreta para confiar. Em outros casos, está descrente, cansado de promessas e distante da intensa movimentação que ocupa as redes sociais e os grupos políticos.
É justamente aí que mora o desafio.
Enquanto candidatos celebram adesões, contam lideranças e exibem eventos cheios, uma parte considerável da população continua fora dessa bolha. São pessoas preocupadas com o preço dos alimentos, a qualidade da saúde, a segurança, o emprego e as condições das estradas. Para chegar até elas, não basta reunir aliados que já estão convencidos.
A campanha precisa responder a uma pergunta simples: por que alguém que ainda não escolheu deveria votar neste candidato?
O eleitor indeciso não será conquistado apenas com slogans, números decorados ou ataques aos adversários. Ele precisa compreender quem é o candidato, o que já fez, quais problemas pretende enfrentar e, principalmente, de que maneira suas propostas poderão mudar a vida real da população.
Na disputa pelo Senado, o desafio é ainda maior. O eleitor terá direito a dois votos, mas muitos ainda não conhecem todos os nomes nem entendem claramente o papel de um senador. Para os candidatos, há uma oportunidade importante de ocupar esse espaço com informação, presença e clareza.
Também é preciso cuidado com a radicalização. O excesso de ataques pode movimentar as bases mais apaixonadas, mas tende a afastar justamente quem ainda está avaliando. O indeciso não quer necessariamente o candidato que grita mais alto. Pode estar procurando aquele que demonstre preparo, equilíbrio e capacidade de entregar resultados.
Os próximos 26 dias não serão vencidos apenas nas grandes reuniões ou nas alianças anunciadas. A eleição será disputada na conversa cotidiana, no contato direto, no WhatsApp, na visita aos municípios e na capacidade de falar com quem ainda não veste camisa de campanha.
Quem continuar falando somente para os próprios apoiadores poderá terminar a eleição cercado de entusiasmo, mas sem alcançar votos novos.
O eleitor indeciso não é apenas mais um número nas pesquisas. Ele pode ser o fiel da balança. E a campanha que compreender isso primeiro terá uma vantagem decisiva na reta final.