Alterações de peso, cansaço e palpitações podem indicar problemas na tireoide

Mudanças de peso sem explicação aparente, cansaço persistente, palpitações, tremores e alterações de humor podem estar relacionados ao funcionamento da tireoide. A glândula, localizada na região do pescoço, produz hormônios que regulam o metabolismo e interferem diretamente em funções como sono, fertilidade, frequência cardíaca e temperatura corporal.

Entre os problemas mais frequentes estão alterações como hipotireoidismo, hipertireoidismo, tireoidites, nódulos e, em menor incidência, o câncer de tireoide. Segundo a endocrinologista da Rede Medical, Thayssa Boechat, tanto a produção insuficiente quanto o excesso de hormônios podem afetar diferentes sistemas do corpo.

“Quando a tireoide produz menos hormônio do que o organismo precisa, ocorre uma desaceleração do metabolismo. Já no hipertireoidismo há produção excessiva de hormônios, o que tende a acelerar o funcionamento do corpo”, detalha.

Apesar dos sinais chamarem atenção, a médica alerta que sintomas como cansaço, alterações de peso e mudanças de humor não devem ser associados automaticamente à tireoide, já que podem ter diferentes causas. Por isso, o diagnóstico deve ser feito com avaliação clínica e exames adequados, evitando automedicação e informações sem orientação médica.

Mulheres são mais afetadas

As doenças da tireoide podem surgir em qualquer faixa etária, mas são mais frequentes entre as mulheres, especialmente em períodos de alterações hormonais, como gestação, pós-parto e menopausa. Grande parte dos casos está relacionada a doenças autoimunes, como a tireoidite de Hashimoto e a doença de Graves, além de fatores genéticos e histórico familiar.

Alterações na glândula também são bastante comuns e muitas vezes identificadas durante exames de rotina ou avaliações clínicas.

“Nem todo nódulo significa câncer. O acompanhamento é definido conforme características observadas no ultrassom, tamanho, crescimento e fatores de risco associados. Muitos pacientes precisam apenas de monitoramento periódico”, explica a endocrinologista.

Diagnóstico e tratamento têm bom controle na maioria dos casos

A investigação das doenças da tireoide envolve avaliação clínica, exame físico e exames laboratoriais, principalmente TSH e T4 livre. Em alguns casos, também podem ser necessários ultrassom, cintilografia, avaliação de anticorpos e punção aspirativa.

Os avanços nos exames e nas abordagens terapêuticas também têm permitido melhor controle da maioria das doenças relacionadas à glândula, com tratamentos individualizados conforme as características de cada paciente.

“A maior parte dos casos tem tratamento bem estabelecido e excelente controle quando acompanhada corretamente. O importante é evitar simplificações e buscar orientação médica individualizada”, afirma Thayssa Boechat.

Além do acompanhamento médico, hábitos saudáveis como alimentação equilibrada, controle do peso, evitar tabagismo e não utilizar suplementos sem indicação profissional também contribuem para a saúde hormonal.

A endocrinologista reforça que sintomas persistentes não devem ser ignorados, mas também não podem ser automaticamente atribuídos à tireoide. Segundo ela, a avaliação correta faz diferença para definir o cuidado mais adequado em cada situação.