
O Ministério da Saúde incluiu o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) na tabela de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) para o rastreamento do câncer colorretal. O exame será oferecido a homens e mulheres assintomáticos com idade entre 50 e 75 anos.
A medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta segunda-feira (10). A portaria entrou em vigor na data da publicação, mas o novo procedimento será incorporado aos sistemas de registro do SUS a partir de setembro.
O FIT será realizado a cada dois anos e integra a estratégia do governo federal para ampliar a detecção precoce do câncer colorretal. O exame será disponibilizado na modalidade ambulatorial e classificado como procedimento de atenção básica.
Como funciona
O Teste Imunoquímico Fecal é feito a partir de uma amostra de fezes e identifica pequenas quantidades de sangue oculto, que não podem ser percebidas a olho nu. A presença de sangue pode estar associada a pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer no intestino.
O teste utiliza anticorpos específicos para detectar sangue humano, o que aumenta a precisão em relação a métodos tradicionais de pesquisa de sangue oculto nas fezes.
A coleta pode ser realizada em casa. O paciente recebe um kit e utiliza uma haste própria para retirar uma pequena amostra das fezes, que é colocada em um tubo coletor e posteriormente encaminhada para análise laboratorial.
Entre as vantagens do exame estão a ausência de preparo intestinal e de dieta restritiva, além da possibilidade de coleta com apenas uma amostra. O procedimento também é menos invasivo e pode facilitar a adesão ao rastreamento.
Segundo o Ministério da Saúde, o FIT apresenta sensibilidade entre 85% e 92% para identificar possíveis alterações.
Rastreamento é voltado a pessoas sem sintomas
A inclusão do exame na tabela do SUS é destinada exclusivamente ao rastreamento a cada dois anos de pessoas assintomáticas entre 50 e 75 anos. Por isso, o procedimento não deve ser utilizado para investigar pacientes que apresentam sintomas ou suspeita clínica da doença.
De acordo com o Ministério da Saúde, a medida pode ampliar o acesso à prevenção e à detecção precoce do câncer colorretal para mais de 40 milhões de brasileiros.
O câncer colorretal está entre os tipos de câncer mais frequentes no país, considerando os tumores de pele não melanoma. A estratégia de rastreamento busca identificar alterações antes do surgimento de sintomas, aumentando as possibilidades de diagnóstico precoce.
A portaria também altera a descrição do procedimento já existente de pesquisa de sangue oculto nas fezes. Com a mudança, o registro passa a contemplar diferentes métodos e técnicas para o rastreamento do câncer colorretal.
Para homens e mulheres assintomáticos de 50 a 75 anos, deverá ser utilizado especificamente o procedimento correspondente ao Teste Imunoquímico Fecal.