
O diagnóstico e o tratamento da hipertensão estarão entre os temas do XVIII Congresso Tocantinense de Cardiologia, que será realizado de 26 a 28 de novembro, no Auditório do Tribunal de Contas do Estado (TCE), em Palmas. A programação abordará as metas de controle da pressão arterial e os cuidados com pacientes idosos, em um cenário de crescimento dos relatos de diagnóstico da doença no país.
Segundo o Vigitel, do Ministério da Saúde, 29,7% dos adultos das capitais brasileiras e do Distrito Federal relataram diagnóstico médico de hipertensão em 2024. Em 2006, o percentual era de 22,6%. A condição aumenta o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e doenças renais, mas geralmente não provoca sintomas, o que pode dificultar sua identificação.
Para o médico Andrés G. Sánchez, presidente da Sociedade de Cardiologia, uma das dúvidas mais frequentes está na interpretação das medições feitas fora do consultório. Um resultado elevado, isoladamente, não confirma o diagnóstico.
“É comum a pessoa medir a pressão em casa ou na farmácia, encontrar um valor alto e já acreditar que está hipertensa. A pressão pode variar ao longo do dia, inclusive por fatores como ansiedade e esforço físico. Por isso, precisamos avaliar o histórico do paciente e acompanhar essas medidas. Da mesma forma, quem não sente nada não deve deixar de verificar a pressão”, explica.
A avaliação pode envolver medições em dias diferentes ou o acompanhamento em casa, conforme orientação médica. Para que os registros sejam confiáveis, é necessário observar cuidados como repousar por pelo menos cinco minutos antes da medição, manter os pés apoiados no chão, as costas encostadas e o braço na altura do coração. Conversar durante o procedimento e ter feito esforço físico recentemente podem interferir nos valores.
Outro ponto de atenção é a continuidade do tratamento após o controle da pressão. Segundo Andrés, a melhora dos resultados não significa que a doença tenha desaparecido.
“Muitas pessoas interrompem o tratamento quando percebem que a pressão está controlada, sem considerar que esse resultado pode ser justamente consequência dos cuidados que estão seguindo. Cada paciente precisa de uma avaliação individualizada, especialmente quando há outras doenças associadas ou idade mais avançada. O acompanhamento permite ajustar o tratamento ao longo do tempo e prevenir complicações”, destaca.
Além de medicamentos, quando indicados, o cuidado envolve redução do consumo de sal, alimentação equilibrada, atividade física e combate ao tabagismo. O acompanhamento também pode contar com profissionais de enfermagem, nutrição e outras áreas da saúde.
O congresso terá um curso pré-congresso no dia 26, com inscrição separada. A programação científica principal ocorrerá nos dias 27 e 28 de novembro. Informações sobre a programação e as inscrições estão disponíveis em soceto.com.br/congresso.