
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta segunda-feira, 21, o registro do Etcamah, medicamento desenvolvido pela farmacêutica AstraZeneca para o tratamento de adultos com câncer de mama localmente avançado ou metastático, quando a doença já atingiu tecidos próximos ou se espalhou para outras partes do corpo.
A nova terapia é destinada a pacientes com tumores que apresentam receptores hormonais positivos (HR+), HER2 negativo e mutação no gene ESR1. Essa alteração genética pode surgir durante o tratamento hormonal e está associada ao desenvolvimento de resistência a determinados medicamentos.
O Etcamah já recebeu autorização para uso nos Estados Unidos e na Europa. Com a aprovação no Brasil, passa a representar uma nova alternativa terapêutica para pacientes que apresentam esse perfil específico da doença.
Estudo aponta redução no risco de progressão
A autorização foi fundamentada em um estudo clínico internacional realizado com 315 pacientes diagnosticadas com câncer de mama avançado. A pesquisa avaliou a eficácia do Etcamah associado a um inibidor de CDK4/6, em comparação com a terapia convencional que utiliza um inibidor de aromatase.
Os resultados indicaram uma redução de 56% no risco de progressão da doença ou morte entre as participantes que receberam a combinação com o novo medicamento.
Como funciona o tratamento
O Etcamah atua diretamente sobre os receptores de estrogênio das células cancerígenas, bloqueando sua atividade e promovendo sua degradação. Esse mecanismo busca dificultar a multiplicação das células tumorais e retardar o avanço da doença.
A terapia é especialmente relevante para pacientes que desenvolvem resistência aos tratamentos hormonais. Estima-se que aproximadamente 30% das mulheres com esse perfil de câncer apresentem mutações no gene ESR1 durante o tratamento.
O câncer de mama está entre os tipos de câncer mais frequentes na população feminina. No Brasil, estimativas recentes do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam mais de 73 mil novos casos anuais.
A aprovação do medicamento amplia as possibilidades de tratamento para pacientes com a alteração genética específica e pode contribuir para retardar a progressão da doença.