Foto: peterschreiber.media/ Getty Images
Foto: peterschreiber.media/ Getty Images

Uma nova estratégia para recuperar áreas do cérebro lesionadas por um AVC apresentou resultados promissores em testes realizados com animais. Pesquisadores da Universidade Duke, nos Estados Unidos, desenvolveram um biomaterial injetável capaz de criar condições para a regeneração do tecido cerebral.

A tecnologia busca transformar a região afetada pelo AVC em um ambiente favorável à formação de novos vasos sanguíneos, fibras nervosas e à atuação de células envolvidas no processo de recuperação. O estudo foi publicado na revista Cell Biomaterials, em 21 de julho, e ainda está na fase pré-clínica, sem testes em humanos.

Como funciona o tratamento

O AVC isquêmico acontece quando um coágulo interrompe a passagem de sangue para determinada região do cérebro. Mesmo quando o fluxo sanguíneo é restabelecido, parte do tecido pode morrer e deixar uma cavidade na área atingida.

É justamente nesse espaço que o biomaterial desenvolvido pelos cientistas atua. Após ser injetado, ele forma uma estrutura porosa que serve como uma espécie de suporte para a chegada de células e a reorganização do tecido.

Segundo a engenheira biomédica Tatiana Segura, responsável pela pesquisa, a intenção é modificar o ambiente da lesão para permitir que diferentes mecanismos de reparação aconteçam simultaneamente.

O material também recebeu sinais biológicos desenvolvidos para atrair células do sistema imunológico e favorecer a formação de novos vasos sanguíneos.

Células de defesa ajudam na recuperação

Os testes mostraram que células de defesa foram atraídas para a região lesionada. Entre elas estão os neutrófilos, normalmente relacionados aos processos inflamatórios que acontecem nas primeiras fases após um AVC.

Os pesquisadores observaram, porém, que essas células também podem contribuir para a recuperação em determinadas condições e momentos. Quando a presença dos neutrófilos foi reduzida durante os experimentos, houve menor formação de vasos sanguíneos e menos reorganização da região afetada.

Os resultados reforçam a hipótese de que a função dessas células pode mudar conforme o ambiente e o estágio da recuperação.

Melhora foi observada na mobilidade

Além de estimular novos vasos sanguíneos, o biomaterial favoreceu o crescimento de fibras nervosas na região cerebral lesionada. Os animais tratados também apresentaram melhora na capacidade de movimentação.

Em testes de caminhada realizados algumas semanas depois, os ratos submetidos ao tratamento tiveram desempenho semelhante ao de animais que não haviam sofrido a lesão.

Os cientistas verificaram ainda que os sinais biológicos utilizados no estudo não produziram o mesmo resultado quando administrados sem o biomaterial. A descoberta indica que a estrutura criada pelo material é uma parte importante do processo de recuperação.

Tratamento ainda não foi testado em humanos

Apesar dos resultados considerados promissores, a técnica ainda está distante de ser utilizada em pacientes. Novos estudos serão necessários para avaliar a segurança do tratamento e compreender melhor a participação das diferentes células no processo de recuperação cerebral.

A equipe também pretende realizar experimentos com células humanas em laboratório. O objetivo é avançar no desenvolvimento de uma técnica que ajude o próprio organismo a reorganizar o tecido danificado após um AVC.