
Cerca de 28 mil crianças nascem com cardiopatias congênitas todos os anos no Brasil, segundo estimativa divulgada pela Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), em 2025. Essas alterações na estrutura do coração surgem durante a gestação e podem comprometer a circulação sanguínea. Embora muitas sejam diagnosticadas nos primeiros meses de vida, algumas passam despercebidas durante a infância e só são identificadas na adolescência ou na fase adulta.
As cardiopatias congênitas podem afetar as válvulas, as paredes que separam as cavidades do coração e os grandes vasos sanguíneos. A gravidade varia conforme a alteração: enquanto alguns pacientes precisam de intervenções logo após o nascimento, outros podem viver durante anos sem apresentar sintomas. Segundo o cardiologista Dr. Henrique Furtado, reconhecer possíveis sinais é fundamental para evitar complicações.
“Nem toda cardiopatia congênita provoca sintomas na infância. Algumas pessoas chegam à vida adulta sem saber que possuem uma alteração no coração. Por isso, sinais como falta de ar, cansaço excessivo, palpitações e desmaios precisam ser investigados. O diagnóstico permite avaliar a gravidade da condição e definir o tratamento adequado”, explica o especialista.
Uma publicação dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), aponta que as cardiopatias congênitas estão entre as principais causas de mortalidade associadas a malformações no primeiro ano de vida. O estudo também destaca desigualdades regionais no acesso ao diagnóstico e ao tratamento, o que reforça a importância da identificação precoce.
A investigação pode começar ainda durante o pré-natal, por meio do ecocardiograma fetal. Após o nascimento, o teste do coraçãozinho ajuda a identificar algumas cardiopatias graves, enquanto o ecocardiograma permite avaliar a estrutura e o funcionamento do coração. Na adolescência e na vida adulta, exames também podem ser indicados diante de sintomas ou alterações identificadas em consultas médicas.
Os avanços no tratamento têm permitido que mais pacientes cheguem à vida adulta e mantenham uma rotina ativa. No entanto, mesmo após cirurgias corretivas, algumas pessoas podem desenvolver arritmias, alterações nas válvulas ou outras complicações. “O tratamento evoluiu bastante, mas a correção de uma alteração não significa, necessariamente, o fim dos cuidados. O acompanhamento cardiológico deve considerar o histórico e as necessidades de cada paciente”, orienta Dr. Henrique Furtado.