Young male psysician with patient measuring blood pressure
Young male psysician with patient measuring blood pressure

Quase três em cada dez adultos das capitais brasileiras e do Distrito Federal relataram ter recebido diagnóstico médico de hipertensão em 2024, segundo o levantamento Vigitel, do Ministério da Saúde. O percentual chegou a 29,7%, acima dos 22,6% registrados em 2006. Como a pressão elevada geralmente não provoca sintomas, muitas pessoas só descobrem a condição durante consultas ou exames de rotina, o que torna a medição regular importante mesmo para quem se sente bem.

A medição exige alguns cuidados para que o resultado seja confiável. Antes de verificar a pressão, é recomendado permanecer sentado e em repouso por pelo menos cinco minutos, com os pés apoiados no chão, as costas encostadas e o braço na altura do coração. Café, ter fumado, se alimentado, ou ingerido bebidas alcoólicas, esforço físico recente e até conversar durante o procedimento podem interferir nos valores. Uma medição elevada não confirma, sozinha, o diagnóstico de hipertensão. Nesses casos, o médico pode recomendar novas avaliações em dias diferentes ou o acompanhamento da pressão em casa, com orientações sobre a forma correta de realizar os registros.

Segundo o médico Andrés G. Sánchez, presidente da Sociedade de Cardiologia, uma das dúvidas mais frequentes envolve a interpretação dos resultados. “É comum a pessoa medir a pressão em casa ou na farmácia, encontrar um valor alto e já acreditar que está hipertensa. A pressão pode variar ao longo do dia, inclusive por fatores como ansiedade e esforço físico. Por isso, precisamos avaliar o histórico do paciente e acompanhar essas medidas. Da mesma forma, quem não sente nada não deve deixar de verificar a pressão”, explica.

Após a confirmação do diagnóstico, o cuidado deve continuar mesmo quando os valores estão controlados. A hipertensão aumenta o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e doenças renais. Reduzir o consumo de sal, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas e evitar o tabagismo são algumas das medidas recomendadas. O tratamento também pode envolver profissionais de enfermagem, nutrição e outras áreas da saúde, que contribuem para o acompanhamento e a adoção de hábitos saudáveis.

Andrés ressalta que a melhora dos resultados não significa que a doença tenha desaparecido. “Muitas pessoas interrompem o tratamento quando percebem que a pressão está controlada, sem considerar que esse resultado pode ser justamente consequência dos cuidados que estão seguindo. Cada paciente precisa de uma avaliação individualizada, especialmente quando há outras doenças associadas ou idade mais avançada. O acompanhamento permite ajustar o tratamento ao longo do tempo e prevenir complicações”, destaca.

O diagnóstico e o tratamento da hipertensão, incluindo as metas de controle e os cuidados com pacientes idosos, estarão entre os temas do XVIII Congresso Tocantinense de Cardiologia, que será realizado de 26 a 28 de novembro, no Auditório do Tribunal de Contas do Estado (TCE), em Palmas. O dia 26 será dedicado ao curso pré-congresso, com inscrição separada, e a programação científica principal ocorrerá nos dias 27 e 28. Mais informações sobre a programação e as inscrições estão disponíveis em soceto.com.br/congresso.