A 15 dias das urnas, é hora de ir além dos wind banners e convencer os indecisos

Faltam 15 dias para o primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. No Tocantins, a propaganda já ocupa as ruas, mas a disputa ainda não parece ocupar, na mesma medida, as conversas. Há uma chuva de wind banners e ainda um clima frio em torno de uma decisão que definirá os próximos anos do Estado.

A apatia do eleitor não é um voto em branco antecipado. Pode ser cansaço, desconfiança ou a espera por uma razão concreta para prestar atenção. Cabe às candidaturas oferecer essa razão. Nos próximos dias, repetir slogans terá menos valor do que responder a perguntas simples: quem é o candidato, o que já fez, com quem pretende governar e como realizará o que promete?

É hora de cada um defender seus pontos fortes com clareza. Quem se apresenta pela experiência precisa mostrar resultados e assumir o que deixou de resolver. Quem pede uma mudança precisa demonstrar preparo, equipe e condições de executá-la. Quem reivindica proximidade com a população precisa provar que sabe ouvir também fora dos atos organizados pela própria campanha. Trajetória não é salvo-conduto; é discurso de novidade não é, por si só, projeto de governo.

O eleitor merece um balanço que possa conferir. Obras anunciadas devem ser distinguidas das entregues. Emendas precisam ter destino, valor e resultado identificáveis. Propostas para saúde, educação e segurança exigem prioridades, prazos e explicação sobre os recursos necessários. Esse trabalho vale para quem disputa o governo, o Senado e as vagas legislativas. Na eleição para senador, em que o eleitor terá dois votos, a comparação entre nomes e trajetórias merece atenção redobrada.

Também chegou a hora de observar o entorno de cada candidatura. Aliados sobem ao palanque para emprestar força, mas devem ajudar a explicar que projeto político estão apoiando e qual compromisso assumem com ele. A fotografia de um grupo reunido pode impressionar; sua capacidade de dar respostas à população é o que deve pesar no julgamento público.

Ninguém deve ser menosprezado nesse cenário. Uma campanha com menos estrutura pode encontrar uma mensagem que ainda não foi ouvida. Uma candidatura à frente pode perder terreno se confundir visibilidade com confiança. E o tocantinense que hoje parece distante da eleição ainda pode decidir seu voto diante de uma conversa, de um debate ou de uma proposta que faça sentido para sua cidade.

As redes sociais fazem parte dessa conversa, mas uma eleição não se resolve apenas no digital nem com uma chuva de vídeos. Alcance não equivale a convencimento. A reação de apoiadores a uma postagem diz pouco sobre as dúvidas de quem ainda não escolheu. É preciso estar nas ruas, enfrentar perguntas difíceis, conhecer as diferenças entre as regiões do Tocantins e explicar o que cada decisão política mudará na vida das pessoas.

Nesta reta final, cabe às campanhas mostrar o melhor de seus candidatos. Cabe ao jornalismo fazer outra cobrança: separar promessa de realização, confrontar discursos com fatos e oferecer ao eleitor informação útil para comparar escolhas. A Gazeta do Cerrado seguirá esse compromisso.

Quinze dias são pouco tempo para inventar uma trajetória. São tempo suficiente para revelá-la.