
Com a mudança de governo no Tocantins, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado (Sindjor-TO) quer colocar a valorização da categoria e a transparência na publicidade institucional entre as prioridades da próxima gestão. Em ofício encaminhado nesta terça-feira, 27, ao governador eleito Vicentinho Júnior (PSDB), a entidade apresentou reivindicações que vão desde melhores salários e condições de trabalho até critérios mais claros para a distribuição de verbas públicas aos veículos de comunicação.
O documento é assinado pela presidente do sindicato, Alessandra Bonfim Bacelar de Abreu Adrian, e retoma compromissos discutidos anteriormente com Vicentinho. A entidade informou que já havia entregado ao governador eleito uma carta com propostas para fortalecer a comunicação pública no Executivo estadual.
Uma das principais preocupações é a estrutura das assessorias de comunicação das secretarias e dos demais órgãos do governo. O sindicato defende que essas equipes tenham profissionais em número suficiente, equipamentos adequados e recursos para desenvolver suas atividades.
A reivindicação também inclui remuneração compatível com as responsabilidades dos jornalistas, capacitação profissional e respeito às atribuições da categoria, tanto para servidores concursados quanto para comissionados.
Na avaliação do Sindjor-TO, investir nas condições de trabalho dos profissionais também significa melhorar a qualidade das informações que chegam à população.
Publicidade oficial entra na pauta
Outro ponto apresentado ao futuro governador envolve a forma como o Estado distribui recursos destinados à publicidade institucional.
O sindicato defende que a escolha dos veículos de comunicação siga critérios técnicos e transparentes, considerando fatores como produção jornalística própria, existência de equipe profissional, regularidade de funcionamento e comprovação de audiência e alcance regional.
A proposta também prevê a divulgação dos valores destinados a cada veículo e das regras utilizadas para a distribuição dos recursos.
Para a entidade, a definição desses parâmetros deve contar com a participação de representantes do setor e de órgãos de controle, como o Tribunal de Contas do Estado (TCE-TO).
A intenção é dar mais transparência à aplicação do dinheiro público e assegurar que a publicidade institucional considere as características dos diferentes veículos, incluindo aqueles que atuam no interior do Tocantins.
Comunicação pública deve ir além da divulgação de ações do governo
No ofício, o Sindjor-TO também defende que a comunicação seja tratada como uma política permanente do Estado, e não apenas como instrumento de divulgação das atividades de uma administração.
Entre as propostas estão a ampliação do acesso à informação, o uso de linguagem mais clara nos canais oficiais, o investimento em ferramentas digitais e a adoção de medidas de combate à desinformação.
A entidade também destaca a importância da autonomia técnica dos profissionais, para que o trabalho de comunicação seja desenvolvido com responsabilidade, ética e compromisso com o interesse público.
Outro pedido é que a futura gestão estabeleça planejamento, metas e mecanismos de avaliação dos resultados das ações de comunicação.
Sindicato quer participar da transição
Além de cumprimentar Vicentinho Júnior pela vitória nas urnas, o sindicato manifestou interesse em participar das discussões sobre a organização da comunicação estadual antes mesmo do início do novo mandato.
A entidade defende que jornalistas e representantes da categoria sejam ouvidos durante a transição, especialmente nas decisões relacionadas à estrutura das assessorias, às condições de trabalho e à política de publicidade institucional.
O ofício não estabelece prazos nem apresenta estimativas de custos para a implementação das propostas.
Com a posse do novo governo prevista para janeiro de 2027, o Sindjor-TO busca antecipar o debate sobre o papel da comunicação pública e as condições oferecidas aos profissionais responsáveis por levar informações sobre a administração estadual à população.
As propostas foram apresentadas ao governador eleito, mas ainda não há informação sobre eventual compromisso da futura gestão com a implementação das medidas.