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A prisão da secretária municipal de Saúde de Palmas, Dhieine Caminski, durante a operação da Polícia Civil que investiga supostas irregularidades em um contrato de R$ 139 milhões para gestão das UPAs da capital provocou a primeira baixa política na base do prefeito Eduardo Siqueira Campos (Podemos). Nesta quarta-feira (10), o Coletivo Somos anunciou o rompimento com a gestão municipal e informou que deixará também a Secretaria Extraordinária de Igualdade Racial e Direitos Humanos.

A decisão foi comunicada pela vereadora Thamires Lima, porta-voz do mandato coletivo, por meio de um vídeo publicado nas redes sociais. Com a saída do grupo da administração, o atual secretário da pasta, José Eduardo de Azevedo, integrante do Coletivo Somos, deve deixar o cargo.

No pronunciamento, o grupo afirmou que permaneceu na base do prefeito nos primeiros meses de governo por acreditar que poderia contribuir para a implementação de políticas públicas voltadas à igualdade racial, direitos humanos, diversidade, cultura popular e juventude periférica.

Segundo a vereadora, o coletivo buscou influenciar decisões internamente e participou da articulação de programas e recursos para o município, mas as divergências com a administração se intensificaram nos últimos meses.

“Os últimos acontecimentos aprofundaram divergências políticas e administrativas que já vinham sendo debatidas internamente e tornaram inviável a continuidade dessa relação política”, afirmou.

Sem citar diretamente a operação policial, o comunicado foi divulgado horas após a repercussão da prisão da secretária de Saúde e do superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa. Ambos são investigados em um inquérito que apura supostas fraudes na contratação da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba para administrar as Unidades de Pronto Atendimento Norte e Sul.

Ao anunciar o rompimento, o Coletivo Somos afirmou que tentou promover mudanças dentro da gestão, mas que chegou a um momento em que seus posicionamentos e reivindicações deixaram de encontrar espaço na administração municipal.

“Existem momentos em que permanecer significa abrir mão daquilo que somos. E o Somos não nasceu para isso”, declarou Thamires.

O grupo também anunciou que passará a atuar de forma independente na Câmara Municipal, reforçando que continuará exercendo a fiscalização do Executivo.

A saída representa a primeira ruptura pública de um aliado da gestão Eduardo Siqueira Campos desde o início do mandato e ocorre em meio à crise provocada pela investigação conduzida pela Polícia Civil.

Até a publicação desta reportagem, a Prefeitura de Palmas não havia se manifestado sobre o anúncio do rompimento político nem sobre a saída do secretário José Eduardo de Azevedo da estrutura administrativa.