
Dos 24 atuais deputados estaduais do Tocantins, 21 disputam novamente uma cadeira na Assembleia Legislativa nas eleições de 2026. Entre os parlamentares que tentam permanecer no cargo e já tiveram recursos públicos partidários identificados nas prestações de contas, Claudia Lelis (PV) aparece com o maior repasse do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC): R$ 860 mil.
O levantamento considera as candidaturas registradas para deputado estadual e os valores declarados à Justiça Eleitoral até o início de setembro. A atual composição da Assembleia tem 24 parlamentares, mas Amélio Cayres (MDB) concorre a vice-governador, Jair Farias (União) tenta uma vaga de deputado federal e Professora Janad Valcari (PP) também disputa a Câmara dos Deputados. Os outros 21 aparecem na relação de candidatos à Assembleia.
A diferença de recursos entre os deputados que tentam a reeleição é expressiva. Enquanto Claudia já recebeu R$ 860 mil, parlamentares como Professor Júnior Geo (PSDB) tiveram apenas R$ 15 mil de FEFC até agora. Outros ainda não tinham repasses do Fundo Eleitoral registrados nas bases consultadas.
PL concentra deputados com R$ 500 mil
Depois de Claudia, o grupo de parlamentares do PL domina as primeiras posições do levantamento.
Gipão, Marcus Marcelo, Moisemar Marinho, Vilmar de Oliveira e Wiston Gomes receberam R$ 500 mil de FEFC cada um. No caso de Gipão, há ainda R$ 2.185 provenientes do Fundo Partidário, razão pela qual o total de recursos públicos partidários declarado por ele supera ligeiramente os R$ 500 mil.
A situação mostra uma estratégia praticamente uniforme do PL para financiar os atuais deputados estaduais que buscam novo mandato. Somente esses cinco parlamentares concentram R$ 2,5 milhões do Fundo Eleitoral.
Vanda Monteiro (União) aparece logo abaixo, com R$ 400 mil de FEFC. O valor chegou em duas transferências da direção nacional do partido, uma de R$ 120 mil e outra de R$ 280 mil.
Republicanos fica entre R$ 110 mil e R$ 190 mil
Entre os atuais deputados filiados ao Republicanos que disputam a reeleição, Léo Barbosa e Cleiton Cardoso receberam R$ 190 mil cada um.
Eduardo Fortes teve R$ 110 mil do Fundo Eleitoral.
Os números são bem menores que os registrados pelo PL e pelo valor destinado a Claudia Lelis, mas representam a maior fonte de financiamento das campanhas de parte desses parlamentares. No caso de Léo Barbosa, por exemplo, os R$ 190 mil correspondiam a todo o valor arrecadado até a atualização consultada.
União coloca R$ 400 mil em Vanda, mas R$ 120 mil em Dertins
Também há diferença considerável entre deputados de uma mesma federação. No União Brasil, Vanda Monteiro recebeu R$ 400 mil, enquanto Eduardo do Dertins teve R$ 120 mil de FEFC.
Dertins havia arrecadado R$ 135 mil no total, sendo R$ 120 mil da direção nacional do União e R$ 15 mil de uma doação privada.
Nilton Franco, que deixou o Republicanos e está no União, aparece com R$ 200 mil de Fundo Eleitoral, conforme a prestação de contas consultada.
Tucanos recebem valores menores
No PSDB, os deputados que tentam permanecer na Assembleia aparecem entre os menores beneficiários do Fundo Eleitoral até agora.
Jorge Frederico recebeu R$ 30 mil, enquanto Professor Júnior Geo teve R$ 15 mil. Jorge possui outras receitas e chegou a R$ 95 mil arrecadados, enquanto Júnior Geo ultrapassa R$ 130 mil principalmente graças a doações privadas.
A diferença mostra que receber pouco do Fundo Eleitoral não significa necessariamente ter uma campanha com baixa arrecadação. Júnior Geo, por exemplo, recebeu R$ 100 mil de uma única pessoa física, além de outras contribuições.
Alguns deputados ainda aparecem sem FEFC
Há ainda parlamentares candidatos à reeleição que, nas atualizações consultadas, não tinham recursos do Fundo Eleitoral registrados.
É o caso de Dr. Danilo Alencar (MDB), cuja arrecadação de R$ 109,5 mil vinha integralmente de recursos próprios, e de Eduardo Mantoan (PSD), que aparecia com R$ 1 mil arrecadado e nenhum repasse de FEFC ou Fundo Partidário.
Luciano Oliveira (PSD) também aparecia com a campanha financiada por recursos próprios e doações de pessoas físicas. Em uma atualização da prestação de contas, havia arrecadado R$ 257 mil, sendo R$ 147 mil próprios e R$ 110 mil de pessoa física, sem dinheiro partidário identificado.
Outros deputados, como Gutierres Torquato (PSD), Olyntho Neto (MDB), Valdemar Júnior (MDB) e Ivory de Lira (PCdoB), também estão registrados para tentar novo mandato, mas as fontes públicas secundárias consultadas não apresentavam, de forma atualizada, valor de FEFC de 2026 que permitisse incluí-los com segurança no ranking. As candidaturas deles, porém, constam na lista atualizada da disputa estadual.
Veja o ranking dos valores já confirmados
| Deputado | Partido | FEFC identificado |
|---|---|---|
| Claudia Lelis | PV | R$ 860.000 |
| Gipão | PL | R$ 500.000 |
| Marcus Marcelo | PL | R$ 500.000 |
| Moisemar Marinho | PL | R$ 500.000 |
| Vilmar | PL | R$ 500.000 |
| Wiston Gomes | PL | R$ 500.000 |
| Vanda Monteiro | União | R$ 400.000 |
| Nilton Franco | União | R$ 200.000 |
| Léo Barbosa | Republicanos | R$ 190.000 |
| Cleiton Cardoso | Republicanos | R$ 190.000 |
| Eduardo do Dertins | União | R$ 120.000 |
| Eduardo Fortes | Republicanos | R$ 110.000 |
| Jorge Frederico | PSDB | R$ 30.000 |
| Professor Júnior Geo | PSDB | R$ 15.000 |
| Dr. Danilo Alencar | MDB | R$ 0 identificado |
| Eduardo Mantoan | PSD | R$ 0 identificado |
| Luciano Oliveira | PSD | R$ 0 identificado |
Os valores são uma fotografia da campanha neste momento. Candidatos e partidos têm prazo para informar novas receitas à Justiça Eleitoral, e novos repasses podem alterar significativamente o ranking até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro. A própria relação de candidaturas do TSE é atualizada durante o processo eleitoral.
Uma ressalva importante: FEFC e Fundo Partidário não são a mesma coisa. Neste levantamento, o ranking considera prioritariamente o Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Quando existe dinheiro de Fundo Partidário adicional, como no caso de Gipão, ele deve ser apresentado separadamente para não misturar as duas fontes.