Imagem criada por inteligência artificial
Imagem criada por inteligência artificial

Mais de 41 mil crianças de até 9 anos apresentam excesso de peso no Tocantins, segundo dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde. O cenário acompanha uma tendência observada em todo o país e reforça o alerta de especialistas para os riscos da obesidade infantil, considerada um dos principais desafios de saúde pública da atualidade.

Levantamento consultado em maio de 2026 mostra que 28% das crianças tocantinenses na faixa etária de 0 a 9 anos estão acima do peso ideal. O índice engloba casos de sobrepeso, obesidade e obesidade grave e representa 41.379 registros no Estado.

Os números locais refletem uma preocupação nacional. Dados do Panorama da Obesidade Infantil e Adolescente apontam que o Brasil registrou, em 2025, mais de 1,1 milhão de crianças com obesidade e outras 783 mil com obesidade grave. Atualmente, cerca de nove em cada 100 crianças brasileiras apresentam obesidade, enquanto seis em cada 100 convivem com quadros considerados graves.

Segundo a pediatra e membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA), Mariana Grigoletto, o aumento dos casos deixou de ser uma situação pontual e passou a representar um problema coletivo.

“Os dados revelam que a obesidade infantil deixou de ser uma situação isolada e se tornou um importante desafio para a saúde pública. Além de ter consequências nos primeiros anos de vida, o excesso de peso na infância pode aumentar significativamente o risco de doenças crônicas na adolescência e na vida adulta”, afirma.

Entre as principais consequências estão o maior risco de desenvolver diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e problemas emocionais, como baixa autoestima e episódios de bullying.

Embora a maioria das crianças avaliadas no país esteja dentro da faixa considerada adequada de peso, os dados mostram que cerca de 37% apresentam algum tipo de alteração nutricional. Para os especialistas, isso demonstra a necessidade de ações preventivas ainda nos primeiros anos de vida.

A médica destaca que o acompanhamento pediátrico é uma das ferramentas mais importantes para evitar a progressão do problema.

“Quando identificamos alterações no peso e nos hábitos da criança logo no início, podemos intervir antes que a situação piore. Com as orientações corretas, é possível evitar que a obesidade se mantenha na vida adulta e reduzir o risco de doenças associadas”, explica.

Consumo de ultraprocessados preocupa

Os dados do Sisvan também mostram mudanças no padrão alimentar das crianças brasileiras. O consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas cresce conforme a idade avança, enquanto alimentos naturais perdem espaço na rotina alimentar.

Para Mariana Grigoletto, a obesidade infantil está diretamente relacionada ao ambiente familiar e aos hábitos construídos no dia a dia.

“Na prática clínica, observamos que a obesidade infantil raramente acontece de forma isolada. Ela está ligada aos hábitos alimentares, à rotina familiar e ao ambiente em que a criança vive. Pequenas mudanças consistentes podem gerar impactos duradouros na saúde física e emocional”, ressalta.

Brasil pode ficar entre os países com mais crianças obesas

A preocupação também aparece em projeções internacionais. Dados do Atlas Global da Obesidade e da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o Brasil pode ocupar, até 2030, a quinta posição entre os países com maior número de crianças e adolescentes obesos no mundo.

O estudo aponta ainda que, sem medidas efetivas de prevenção, as chances de reverter esse cenário são reduzidas.

Entre as recomendações dos especialistas estão o incentivo ao consumo de frutas, verduras e legumes, a redução de alimentos industrializados e bebidas açucaradas, a prática regular de atividades físicas e a limitação do tempo de exposição a telas, como celulares, tablets e televisores.

Para os profissionais da área, a prevenção continua sendo a principal estratégia para conter o avanço da obesidade infantil e evitar que o problema acompanhe essas crianças ao longo da vida adulta.

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins