
Há um fenômeno silencioso, mas perigoso, em curso nas pré-campanhas do Tocantins: a padronização da política. Embalados por trends, fórmulas prontas e roteiros replicáveis, pré-candidatos têm optado pelo caminho mais fácil e talvez mais vazio da repetição. E, com isso, colocam em risco o que há de mais essencial no processo democrático: a autenticidade.
A lógica das redes sociais impôs um ritmo e uma estética à política. Vídeos curtos, frases de efeito, dancinhas simbólicas, cortes ensaiados. Tudo milimetricamente pensado para engajar. O problema não está na ferramenta, mas no uso acrítico dela. Quando todos dizem as mesmas coisas, com os mesmos enquadramentos, os mesmos gestos e até os mesmos “bordões”, o eleitor deixa de enxergar diferenças reais. E, sem diferença, não há escolha consciente: há apenas consumo de imagem.
No Tocantins, esse cenário começa a ganhar contornos evidentes. A política, que deveria ser espaço de ideias, projetos e identidade regional, corre o risco de se transformar em uma vitrine de performances repetidas. A mesma narrativa de “novo”, os mesmos ataques genéricos ao “sistema”, as mesmas promessas vagas. Tudo reciclado, pouco aprofundado.
O mais preocupante é que essa dinâmica favorece quem já está estabelecido. A repetição, nesse contexto, não democratiza, ela concentra. Quem tem estrutura para impulsionar conteúdo, repetir discursos e ocupar espaço com volume tende a se sobressair. Enquanto isso, vozes autênticas, com propostas consistentes, mas sem o mesmo aparato, acabam engolidas pelo algoritmo.
É a política refém da estética. E estética sem conteúdo é ruído.
Há ainda um efeito colateral grave: o esvaziamento do debate público. Quando o foco está em performar bem e não em dizer algo relevante, temas centrais do Tocantins ficam à margem. Infraestrutura, desigualdade regional, desenvolvimento sustentável, políticas para juventude e mulheres: tudo isso perde espaço para o viral do dia.
A eleição, então, deixa de ser um momento de confronto de ideias e passa a ser uma disputa de quem melhor reproduz o que já deu certo em outros lugares. Uma política copiada, colada e descontextualizada.
Mas o Tocantins não é genérico. O estado tem suas próprias dores, suas próprias urgências, suas próprias potências. E exige, portanto, respostas próprias. A autenticidade não é um luxo na política é uma necessidade. É ela que conecta o candidato à realidade do eleitor. É ela que constrói confiança.
Seguir trends pode até gerar curtidas. Mas não constrói legado.
O eleitor tocantinense precisa e merece mais do que personagens ensaiados. Precisa de lideranças que falem com verdade, que assumam posições, que apresentem caminhos. E isso não se copia. Se constrói.
No fim, a pergunta que deve ecoar é simples: quem está disposto a sair do roteiro?
Porque, em tempos de repetição, ser autêntico é, por si só, um ato político.