
O superintendente de Atenção à Saúde da Prefeitura de Palmas, Andreis Vicente da Costa, foi exonerado do cargo seis dias após ser preso durante a operação que investiga supostas irregularidades na terceirização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital.
A exoneração foi publicada no Diário Oficial do Município desta terça-feira (16) e, conforme o documento, ocorreu a pedido do próprio servidor. Andreis ocupava um cargo de assessoria especial vinculado à Secretaria Municipal de Saúde.
Ele foi preso no último dia 10 de junho, na mesma operação que resultou na detenção da secretária municipal de Saúde, Dhieine Caminski. A investigação conduzida pela Polícia Civil apura suspeitas de corrupção, falsidade ideológica e direcionamento na contratação da entidade responsável pela gestão das UPAs de Palmas.
Dados do Portal da Transparência mostram que Andreis era um servidor cedido e, desde outubro de 2025, exercia a função de Assessoria Especial de Planejamento Estratégico em Saúde, com remuneração bruta de R$ 20.704,90.
Apesar da prisão, Dhieine Caminski permanece no comando da Secretaria Municipal de Saúde.
Operação investiga contrato de R$ 139 milhões
As investigações têm como foco a contratação da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Itatiba para administrar as UPAs da capital. O contrato, firmado sem licitação, tem valor estimado em R$ 139 milhões.
Além de Andreis e Dhieine, a empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva também é alvo da operação. Apontada pelos investigadores como intermediadora do contrato, ela permaneceu foragida por cinco dias e se apresentou à Polícia Civil na segunda-feira (15). Sua defesa informou que a empresária estava em viagem.
A Prefeitura de Palmas afirmou anteriormente que o termo de cooperação referente à gestão compartilhada das unidades está sendo analisado pelo Judiciário e que tem colaborado com as investigações, fornecendo as informações solicitadas pelos órgãos competentes.
Suspeita de pagamento de propina
Segundo a Divisão Especializada de Repressão à Corrupção (Decor), a investigação aponta indícios de direcionamento de contratação, corrupção ativa e passiva e falsidade ideológica.
Entre os elementos apurados está a locação de uma BMW de luxo pela empresária investigada um dia antes da assinatura da dispensa de licitação. Para a Polícia Civil, o veículo, alugado por R$ 9,5 mil mensais, teria sido utilizado como forma indireta de pagamento de propina ao então superintendente Andreis Vicente da Costa, que fazia uso frequente do automóvel.
Os investigadores destacam que o custo da locação e a utilização do veículo seriam incompatíveis com a renda do servidor, reforçando a suspeita de vantagem indevida.
Contrato continua em vigor
Mesmo com as prisões e o avanço das investigações, a terceirização das UPAs segue em vigor. Em decisão proferida em maio deste ano, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que uma eventual suspensão imediata do contrato poderia comprometer o atendimento de urgência e emergência em Palmas.
A Corte ressaltou que a decisão não representa análise sobre a legalidade da parceria, questão que continua sendo discutida na Justiça Estadual do Tocantins.
Conforme depoimentos colhidos durante a investigação, servidores da Secretaria Municipal de Saúde relataram ter sofrido pressão para assinar pareceres favoráveis à terceirização, mesmo sem acesso prévio ao plano de trabalho da entidade contratada.